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Do Vale do Ribeira ao CAU/SP: Trabalho de graduação do IAU-USP que resgata cultura do junco e carpintaria japonesa é premiado

Trabalho de conclusão de curso de Hector Yudi Yokoyama Inafuku conquistou o Prêmio Destaque 2 na categoria ‘Diversidade e Equidade’ dentro da modalidade de Projeto de Patrimônio Cultural.

O Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU-USP) celebra mais um importante reconhecimento à sua excelência acadêmica e compromisso social. O recém-formado Hector Yudi Yokoyama Inafuku conquistou o Prêmio Destaque 2 na categoria Diversidade e Equidade na Premiação CAU/SP 2026 – Prêmio de TCC e de Boas Práticas em Arquitetura e Urbanismo.

O trabalho premiado, intitulado “Museu do junco: centro de pesquisa e divulgação da cultura do junco na região do Vale do Ribeira”, concorreu na modalidade de Projeto de Patrimônio Cultural. A pesquisa foi desenvolvida sob a orientação do professor Paulo Yassuhide Fujioka e coorientação da professora Aline Coelho Sanches.

Promovida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) e organizada em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), a premiação deste ano destacou trabalhos que dialogam de forma transversal com sustentabilidade, adaptabilidade e justiça socioambiental. O prêmio concedido ao projeto do IAU-USP reforça a relevância de propostas que descentralizam o olhar arquitetônico e jogam luz sobre a pluralidade cultural e histórica paulista.

Memória, Arquitetura e Paisagem Agrícola

O cenário da pesquisa é a histórica Casa Suzu Okiyama, erguida na primeira metade do século XX em Registro (SP), no Vale do Ribeira. O imóvel representa um raro testemunho da imigração no estado: mescla as sofisticadas técnicas de encaixe da carpintaria tradicional japonesa com madeiras nativas extraídas da Mata Atlântica. Pelo seu inestimável valor cultural, o conjunto foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2008.

A investigação de Hector foi além das paredes da residência. O lote abriga, há décadas, uma extensa plantação familiar de junco. Após o processo de secagem, o vegetal serve de matéria-prima para a confecção artesanal de bolsas, esteiras, chinelos e o tradicional tatami japonês.

O projeto teve como premissa analisar como a arquitetura se integra a esse sistema produtivo agrícola, propondo um plano que salvaguarde o patrimônio material e as práticas culturais intangíveis da comunidade local.

Intervenção de Baixo Impacto e Diálogo Local

A proposta arquitetônica desenhada pelo autor divide-se em duas frentes fundamentais:

  • Restauro Crítico: Recuperação minuciosa das estruturas da casa, respeitando as marcas do tempo, modificações e os diferentes usos que o conjunto teve ao longo das décadas.
  • Anexo Museográfico: Construção de um novo pavilhão implantado sobre um pequeno lago existente na propriedade. O espaço foi projetado para acolher um programa comunitário e interativo, englobando o museu do junco, comedoria, área de apoio institucional e uma sala de tatami.

Para garantir a harmonia ecológica com o Vale do Ribeira, as soluções construtivas priorizaram a mínima intervenção no terreno. O projeto adota um sistema porticado de madeira estrutural leve, fechamentos e núcleos estruturais em taipa de pilão (aproveitando o conforto térmico da terra local) e uma cobertura feita com telhas inspiradas nos modelos cerâmicos fabricados pelos primeiros colonos japoneses da região.

A premiação consolida o papel do IAU-USP na produção de pesquisas que aliam rigor técnico, sensibilidade histórica e responsabilidade social.

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