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Trabalhos de Conclusão de Curso do IAU-USP são reconhecidos na Premiação CAU/SP 2026

O Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU-USP) celebra o reconhecimento de seus recém-formados na Premiação CAU/SP 2026 – Prêmio de TCC e de Boas Práticas em Arquitetura e Urbanismo promovida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

Os trabalhos premiados destacam a excelência acadêmica e a diversidade das temáticas desenvolvidas no Trabalho de Graduação Integrado (TGI) do IAU-USP, abordando questões como mudanças climáticas, resiliência urbana, soluções baseadas na natureza, preservação da memória e do patrimônio histórico, diversidade cultural e equidade.

Ao todo, quatro trabalhos de egressos do Instituto foram reconhecidos em diferentes categorias e modalidades da premiação.

“Ocupar as ruínas: a memória habitada no antropoceno”

A arquiteta e urbanista Ana Carolina de Paula Bezerra foi reconhecida na Categoria 1 – Projeto e Arquitetura de Edificações com o Destaque 1 – Mudanças Climáticas e Adaptabilidade. Seu trabalho, intitulado “Ocupar as ruínas: a memória habitada no antropoceno”, foi desenvolvido sob orientação das professoras Luciana Bongiovanni Martins Schenk e Simone Helena Tanoue Vizioli.

O projeto tem como foco a relação entre memória, arquitetura e permanência, tendo São Paulo como território de investigação. Registrado no Banco de Dados Bibliográficos e Trabalhos Acadêmicos da USP (BDTA) entre os trabalhos de conclusão de curso do IAU, o projeto é classificado nos assuntos relacionados a memoriais, museus e à cidade de São Paulo.

Além do reconhecimento na categoria de edificações, Ana Carolina conquistou o 1º lugar na Regional 05 – Ribeirão Preto, resultado que reforça a relevância do trabalho tanto no recorte temático quanto na avaliação regional da premiação.

A dupla distinção coloca em evidência uma proposta que trabalha a arquitetura a partir da relação entre o ambiente construído e os processos de transformação e permanência da cidade, aproximando questões de memória e patrimônio dos desafios contemporâneos relacionados à adaptabilidade.

“Pirambu: Interface entre Cidade e Mar”

O egresso Samuel Correia Serejo recebeu três reconhecimentos pelo trabalho “Pirambu: Interface entre cidade e mar”, desenvolvido no IAU-USP sob orientação dos professores Jeferson Cristiano Tavares e Luciana Bongiovanni Martins Schenk. O trabalho foi defendido em dezembro de 2025 e tem como objeto o bairro do Pirambu, em Fortaleza (CE), articulando questões urbanas, habitacionais, sociais e paisagísticas.

Na modalidade Estadual Categoria 4 – Projeto de Arquitetura da Paisagem, Serejo recebeu Menção Honrosa e Destaque 1 – Mudanças Climáticas e Adaptabilidade. O trabalho também recebeu Destaque 1 – Mudanças Climáticas e Adaptabilidade na modalidade Regional 05 – Ribeirão Preto, ampliando o reconhecimento obtido na premiação.

O projeto propõe uma leitura do Pirambu a partir da relação entre cidade e mar e busca responder a questões históricas e contemporâneas do território. A proposta parte da compreensão do bairro como espaço marcado por desigualdades, mas também por forte identidade e vínculo comunitário, articulando intervenções urbanas e arquitetônicas voltadas à população local.

O reconhecimento na categoria de mudanças climáticas e adaptabilidade evidencia a dimensão ambiental presente na proposta, especialmente na relação entre território, espaços livres e frente marítima.

“Museu do junco: centro de pesquisa e divulgação da cultura do junco na região do Vale do Ribeira”

O egresso Hector Yudi Yokoyama Inafuku recebeu o Destaque 2 – Diversidade e Equidade, na modalidade Projeto de Patrimônio Cultural, pelo trabalho “Museu do junco: centro de pesquisa e divulgação da cultura do junco no Vale do Ribeira”, sob orientação dos professores Paulo Yassuhide Fujioka e Aline Coelho Sanches.

A pesquisa tem como objeto a Casa Suzu Okiyama, localizada em Registro (SP), no Vale do Ribeira. Construída na primeira metade do século XX, a residência constitui importante testemunho da presença da imigração japonesa na região e reúne técnicas tradicionais da carpintaria japonesa com o uso de madeiras nativas. O conjunto foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2008.

O projeto amplia a abordagem patrimonial para além da edificação. No terreno da Casa Suzu Okiyama existe uma produção familiar de junco, utilizado tradicionalmente na confecção de bolsas, esteiras, chinelos e tatamis. A proposta busca, assim, preservar não apenas o patrimônio material, mas também os conhecimentos, técnicas e práticas culturais associados à produção do junco.

A intervenção combina o restauro crítico da residência com a criação de um novo pavilhão museográfico implantado sobre um lago existente na propriedade. O espaço abriga o museu do junco, áreas comunitárias, apoio institucional e uma sala de tatami. Entre as soluções construtivas estão estruturas leves de madeira, fechamentos e núcleos em taipa de pilão e uma cobertura inspirada em modelos cerâmicos associados à presença japonesa no Vale do Ribeira.

O Destaque 2 na categoria Diversidade e Equidade reconhece justamente essa abordagem ampliada do patrimônio, que relaciona arquitetura, território, memória, imigração, saberes tradicionais e modos de produção locais. 

“Encontro com o esquecido: criação de um complexo cultural na cidade de Rio Claro/SP”

A egressa Beatriz Habermann recebeu Menção Honrosa na Categoria 4 – Projeto de Arquitetura da Paisagem com o trabalho “Encontro com o esquecido: criação de um complexo cultural na cidade de Rio Claro/SP”. O TCC foi orientado pelas professoras Luciana Bongiovanni Martins Schenk e Gisela Cunha Viana Leonelli.

O trabalho propõe a criação de um complexo cultural em Rio Claro (SP), articulando arquitetura, paisagem e patrimônio imaterial. A proposta parte da necessidade de recuperar e dar novos significados a elementos da memória urbana, transformando o espaço arquitetônico em instrumento de preservação e encontro.

A trajetória acadêmica de Beatriz no IAU também esteve ligada a pesquisas sobre patrimônio cultural e paisagem urbana. Em trabalho desenvolvido anteriormente, sob orientação do professor Paulo César Castral, a estudante investigou as recorrências de elementos das fachadas ecléticas de Bocaina (SP) como parte do repertório formal e afetivo da paisagem urbana.

A Menção Honrosa obtida na Premiação CAU/SP amplia esse percurso e evidencia a continuidade de uma pesquisa voltada à relação entre memória, patrimônio, paisagem e projeto arquitetônico.

Reconhecimento à excelência acadêmica

Os quatro reconhecimentos obtidos na Premiação CAU/SP 2026 apresentam diferentes possibilidades de atuação da arquitetura e do urbanismo diante de questões contemporâneas. Os trabalhos percorrem temas como mudanças climáticas e adaptabilidade, memória, patrimônio cultural, paisagem, habitação, diversidade e equidade, demonstrando a amplitude dos caminhos desenvolvidos pelos alunos durante sua formação no IAU-USP.

Além dos resultados individuais, a premiação evidencia a importância do Trabalho de Graduação Integrado para a formação de profissionais capazes de atuar criticamente sobre diferentes escalas e dimensões do ambiente construído.

Confira os resultados completos da Premiação CAU/SP 2026:

Categoria 1 – Projeto e Arquitetura de Edificações

Categoria 4 – Projeto de Arquitetura da Paisagem

Regional 01 – São Paulo

Regional 05 – Ribeirão Preto

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