Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos

Exposição "O Plano de Ação [PAGE] e a Arquitetura Social"

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A produção de equipamentos públicos durante a gestão do governador Carvalho Pinto no Estado de São Paulo (1959-1963), a partir do seu Plano de Ação (PAGE), do ponto de vista da difusão da arquitetura moderna e dos compromissos políticos que os seus protagonistas estabeleceram, configura-se como um dos momentos mais ricos do Modernismo Brasileiro e de sua dimensão social.

Trazendo para o primeiro plano a questão social através da produção de equipamentos públicos, as obras implantadas pelo PAGE, valendo-se da hegemonia já alcançada pela Arquitetura Moderna nos anos 1950, incrementaram o desenvolvimento da linguagem, produzindo novas soluções e tipos modernos, não se limitando à repetição de concepções e formas consagradas e estabelecidas.

A exposição que será realizada no saguão de Entrada do Instituto de Arquitetura e Urbanismo, no Campus da USP em São Carlos complementa as atividades do 6º Seminário Regional DOCOMOMO São Paulo, realizado em setembro de 2018, que teve como tema, justamente, "A Arquitetura Moderna e a Questão Social".

Sobre as obras de equipamentos públicos implantados pelo PAGE, Plínio de Arruda Sampaio, então chefe de Gabinete do governador, afirmou que os "projetos padrão" anteriormente desenvolvidos pelo DOP, não atendiam as qualidades pretendidas em termos de aproveitamento e funcionalidade. Mas, sobretudo, não consentiam as qualidades formais e simbólicas dos próprios públicos, que necessitavam amalgamar desenvolvimento material e modernismo social, e desta forma solicitavam a adoção da arquitetura que naquele momento já "fazia história":

(...) era óbvio que tinha que ser moderno. Nem se discutia, era uma coisa de senso comum. Era tão hegemônica a ideia e eles todos eram ligados a isso, tinham acabado de sair da arquitetura. Eram todos alunos do Artigas, desse pessoal "craque"(...) . (SAMPAIO, 2007)

As obras do PAGE foram financiadas pelo Instituto de Previdência do Estado de São Paulo (IPESP), que contratou os projetos junto aos escritórios de arquitetura, após acordo que normatizou os valores e a remuneração dos projetos, entre o Estado e o Departamento Paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/SP).

A exposição tem por base a pesquisa "Difusão da arquitetura moderna no Brasil - o patrimônio arquitetônico criado pelo Plano de Ação do governo Carvalho Pinto (1959-1963)", realizada pelo Grupo de Pesquisa "Arte, arquitetura Brasil: Diálogos na Cidade Moderna e Contemporânea – ArtArqBr", inicialmente financiada pela FAPESP. Nela, identificou-se que mais de 160 arquitetos projetaram para o PAGE, produzindo equipamentos em 275 cidades do Estado de São Paulo. Até agora, essa pesquisa registrou mais de 1.100 empreendimentos construídos, levantou 661 e inventariou com precisão 521. Uma pequena parcela dessa produção será apresentada na exposição, todavia, como poderá ser atestada, sua importância para os rumos da Arquitetura Moderna Brasileira foi inequívoca.

A exposição será realizada entre 2 (a partir das 16h30) e 14 de abril de 2019, e ficará aberta durante todo o dia no Saguão de Entrada do Instituto de Arquitetura e Urbanismo, no campus da USP em São Carlos.