Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos

Mobilidade Sustentável - Campus USP São Carlos

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_ no dia 22/10/2019, no Campus USP S. Carlos, haverá o "Dia sem automóvel no Campus" e a Mesa Redonda "A Rua É de Quem"

A Mesa Redonda será as 17h no Auditório Luiz Antonio Favaro - ICMC USP, tendo como mediador o prof.  Miguel Antonio Buzzar (IAU USP), e como debatedores os profs. Antônio Nélson Rodrigues da Silva (EESC USP) e Carlos R. Monteiro de Andrade (IAU USP), a Arq. e Urbanista (pela FAU USP) Barbara Thomazella Cartaxo e o Eng. Civil Gustavo Rennó Rocha (Eng. Sec. Mun. de Transporte e Trânsito Pref. S.Carlos).

Contamos com a participação de todos.

cartaz do evento

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Em defesa do Ensino, da Pesquisa, da Ciência e do Conhecimento

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_ O Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, IAU-USP vê com bastante preocupação, e se manifesta contrário, a proposta de fusão em um único órgão das duas principais agências de desenvolvimento e financiamento da ciência no Brasil: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); bem como a de transferência da gestão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep) para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e/ou Ministério da Economia.

Ainda que o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) se estruture a partir da ação concertada de tais agências, e em especial das universidades, por meio de seus Programas de Pós-Graduação, institutos de pesquisa e empresas; as fusões pretendidas, ao desconsiderar as missões e especificidades de cada agência comprometerão, se efetivadas, de forma irreversível não somente a produção científica nacional e a formação e qualificação dos profissionais de CTI, bem como a própria soberania nacional, haja visto o papel estratégico do setor na geopolítica mundial.

Se, como afirma o documento Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2016-2022 (ENCTI 2016-2022), cabe ao SNCTI "buscar soluções para os grandes desafios socais, ambientais e econômicos, contribuindo para a construção das bases do desenvolvimento sustentável do Pais" (p.9), temos visto o quanto os sucessivos cortes orçamentários e a "fusão", em passado recente, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o Ministério das Comunicações têm comprometido o cumprimento de tais metas. A adoção das medidas anunciadas acarretará, assim, maior instabilidade institucional e prejuízos ao setor.

Nesse sentido, o IAU-USP se irmana às demais entidades acadêmicas e científicas na defesa da autonomia do CNPq e da Capes e manutenção do FNDCT e Finep como agências vinculadas ao MCTIC, bem como no clamor da recomposição orçamentária de tais agências, IES e Institutos de Pesquisa do país.

Carta CNPq CAPES FINEP

Carta de Salvador_ 6o. SENAU_9-10-2019

Carta-da-Iniciativa-para-CT-no-Parlamento-sobre-o-Orçamento-2020

Por que IC é muito importante (inclusive para quem não quer carreira acadêmica)

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_ Ao pensar nas palavras "método científico", fica fácil dizer algumas outras palavras que essas duas têm o poder de despertar em nosso cérebro: chato, difícil, incompreensível, entediante. Esse sentimento é natural, visto que o método científico nos é ensinado de maneira complicada e, na maioria das vezes, equivocada.

Mas o método científico nada mais é do que uma ferramenta que nos guia por um caminho objetivo, confiável e, sobretudo, imparcial de trazer respostas (ou pelo menos, diminuir incertezas) para qualquer tipo de problema: desde um ingrediente de uma massa de bolo até uma nova partícula detectada no universo.

Para entender melhor, e na prática, do que se trata o método científico, a Iniciação Científica é uma excelente oportunidade. Disponível em qualquer área do conhecimento, a IC, como é carinhosamente conhecida por alunos de graduação, e para quem ela é voltada, permite a compreensão de algum conceito ou problema relacionado à área de conhecimento na qual o aluno está inserido, sendo de extrema importância mesmo para o estudante que não tem qualquer pretensão de seguir a carreira acadêmica.

No Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP), há bastantes oportunidades de IC, durante a qual o aluno é orientado por algum docente para realização de um trabalho específico. "O trabalho normalmente será vinculado à pesquisa do docente e, durante esse tempo, o aluno aprenderá como funciona o método científico. É uma oportunidade muito boa, pois permite que ele se aprofunde em determinado assunto de interesse, e às vezes até em mais de um assunto, pois é possível fazer mais de uma IC durante o curso. A IC é, sobretudo, uma possibilidade de experimentação para o aluno", afirma Karin Chvatal, docente e presidente da Comissão de Pesquisa do IAU.

Além do benefício de compreender o método científico, uma IC é útil por diversos outros aspectos, como colocar em prática a organização e a disciplina, além do desenvolvimento de habilidades de comunicação, visto que o aluno de IC terá diversas oportunidades de apresentar seu trabalho em público. "IC envolve prazo e disciplina, além da noção de responsabilidade. A IC pode ser considerada a primeira experiência profissional do aluno, pois ele manterá vínculo com uma empresa, no caso, a universidade, receberá uma bolsa, equivalente ao salário, e terá um orientador, equivalente ao chefe", elucida Felipe Ortega Romano, funcionário da Assistência Acadêmica do IAU.

No IAU, as oportunidades de IC são inúmeras, sendo possível receber financiamento via Programa Unificado de Bolsas (PUB/USP), via Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI). "A FAPESP também oferece bolsas nessa modalidade, mas exige uma preparação melhor do projeto. Já tivemos bolsas também em parceria com empresas. Qualquer oportunidade de IC é enviada aos alunos do Instituto assim que chegam até nós", conta Karin.

No entanto, há um diferencial na IC oferecida no IAU: além da pesquisa, os projetos contemplados muitas vezes estão também envolvidos com extensão, o que permite que o aluno tenha contato direto com o público fora da universidade. "No IAU, o envolvimento dos alunos em IC é bastante alto: aproximadamente dois terços deles passam por alguma IC durante a graduação. No último SIICUSP*, tivemos 64 trabalhos inscritos, um número bastante alto", diz a docente.

Palavra do aluno

Gabriel Botasso, atual aluno de mestrado do IAU, passou por três ICs durante a graduação. Mesmo tendo optado pelo percurso acadêmico, ele diz que fazer pesquisa é importante para qualquer aluno, pois ela permite que se crie um olhar crítico. "É muito natural incorporarmos o que as pessoas nos falam, mas, ao mesmo tempo, temos que absorver isso a partir de um filtro nosso e é justamente através da pesquisa que conseguimos criá-lo", afirma. "Graças à pesquisa, você cria critérios para escolher suas ações ao longo de sua trajetória, seja ela acadêmica ou não".

Além de senso crítico, a IC pode também oferecer uma visão complementar sobre o que é aprendido nas aulas. "É possível colocar em prática alguns conceitos aprendidos em sala sobre algum assunto que seja de seu interesse", diz o aluno.

Mas, como qualquer trabalho de pesquisa, a IC ocupa um bom tempo dos alunos. E conciliar a carga horária de um curso integral com Iniciação Científica pode ser um desafio para muitos. "Dependendo do ano da graduação, temos mais carga horária, mais trabalhos em grupo, especialmente nos primeiros anos. Conciliar tudo, realmente, pode ser difícil, mas sempre trabalhei com cronogramas muito bem definidos", conta.

Por outro lado, Gabriel ressalta que, quando você escolhe trabalhar com um assunto de seu interesse, fica mais fácil conciliar, mas dá uma dica: é preciso trabalhar com cronogramas bem definidos. "Minha dica mais importante é: não deixe a pesquisa de lado em nenhum momento. Mesmo que você trabalhe somente uma hora por dia, é importante manter o ritmo, e não cair na tentação de perder a motivação e abandonar a IC. Dar passos pequenos é o segredo para completar toda trajetória", finaliza o aluno.

Para mais informações sobre IC, acesse a página da Comissão de Pesquisa do IAU.

*Simpósio Internacional de Iniciação Científica da Universidade de São Paulo

Manifestação dos Pró-Reitores da USP em apoio ao CNPq e contra a sua extinção

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_ O Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), agência vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), é, desde sua criação em 1951 até hoje, uma das maiores e mais sólidas estruturas públicas de apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil. Vem contribuindo significativamente para o desenvolvimento de pesquisas em áreas estratégicas e para a formação de pesquisadores em Ciências Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Agrárias, Ciências Sociais Aplicadas Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes.

O CNPq, que oferta várias modalidades de bolsas para estudantes de ensino médio da rede pública (PIBIC-EM), ensino técnico e de graduação (PIBITI), estudantes de graduação (PIBIC), pós-graduação em nível de mestrado e doutorado, recém-doutores e pesquisadores já experientes (bolsas de produtividade em pesquisa), além de apoiar iniciativas como os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), centros de pesquisa multicêntricos brasileiros, em parceria com a CAPES, FINEP e as fundações estaduais de amparo à pesquisa, está na iminência de cortar o financiamento das bolsas de mais de 80 mil pesquisadores. A agência necessita de uma suplementação de R$ 330 milhões em seu orçamento, para cumprir os compromissos assumidos em 2019.

Lembramos o histórico do CNPq e o seu papel no sistema de Ciência e Tecnologia donosso país. Em maio de 1946, o Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, representante brasileiro do Conselho de Segurança da Organização da Nações Unidas (ONU), propôs ao governo, por intermédio da Academia Brasileira de Ciência (ABC), a criação de um conselho nacional de pesquisa. Em 1951, o Presidente da República General Eurico Gaspar Dutra criou o CNPq, por meio da Lei nº 1.310. Ao longo da sua história, o CNPq vem desempenhando papel primordial na formulação e condução das políticas e de financiamento a ciência, tecnologia e inovação. Contribui, de forma significativa, para o desenvolvimento econômico e social do país e o reconhecimento das instituições de pesquisa e pesquisadores brasileiros pela comunidade científica nacional e internacional.

Estamos hoje diante da maior crise do sistema de C&T em nosso país. Os Pró-reitores da USP manifestam-se em favor da manutenção dos recursos para o CNPq e contra a sua extinção. O Brasil não pode perder este valioso patrimônio de conhecimentos que foi construído, pelo esforço conjunto de cientistas e da sociedade brasileira desde a criação do CNPq em 1951.
 
Edmund Chada Baracat Maria
Pró-Reitor de Graduação da USP
 
Maria Vitória Lopes Badra Bentley
Pró-Reitora Adjunta de Graduação da USP
 
Carlos Gilberto Carlotti Júnior 
Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP
 
Marcio de Castro Silva Filho
Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação da USP
 
Sylvio Roberto Accioly Canuto
Pró-Reitor de Pesquisa da USP
 
Emma Otta
Pró-Reitora Adjunta de Pesquisa da USP
 
Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado
Pró-Reitora de Cultura e Extensão Universitária
 
Margarida Maria Krohling Kunsch
Pró-Reitora Adjunta de Cultura e Extensão Universitária

Manifestação das entidades de arquitetura

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_ O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura (ABEA), Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), a Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP) e a Federação Nacional doss Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FENEA) vêm se manifestar à sociedade brasileira em apoio à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e em repúdio às declarações do Senhor Presidente da República que atacam preceitos basilares do Estado Democrático de Direito e desrespeitam a memória das vítimas da ação violenta do Estado Brasileiro durante o período da Ditadura Militar.

Manifestações como essas não são compatíveis com o cargo de Presidente da República, o qual deve respeito à Constituição Federal e às instituições republicanas democraticamente constituídas.

As entidades profissionais têm papel fundamental para a independência e autonomia na prática profissional em prol do desenvolvimento, para o bem da sociedade. Ataques velados ou diretos a essas instituições, bem como a seus dirigentes, guardam intenções diversas, entre as quais desqualificar aquelas entidades que se posicionam de forma crítica e autônoma no cumprimento de suas missões institucionais e na defesa da sociedade.

Expressamos nossa solidariedade a todas as vítimas dos períodos de exceção a que foi submetido nosso país, desde aqueles que sofreram restrições de liberdade de atuação profissional e de cátedra, até aqueles torturados, "desaparecidos" ou mortos.

Por fim, reiteramos nosso compromisso com a Democracia e os Direitos Humanos, entre eles os direitos políticos, sociais e civis, tal qual o Direito à Cidade justa e democrática. Tais preceitos são imprescindíveis para, entre outros propósitos, o livre exercício das profissões em prol do desenvolvimento da Nação de forma republicana e democrática.

Trabalho de docentes do IAU recebe prêmio

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Os docentes do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP), Marcel Fantin e Jeferson Cristiano Tavares, o docente da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Júlio César Pedrassoli (UFBA), e os alunos da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), Augusto Cesar Oyama, Breno Malheiros de Melo e Ivan Langone Francioni Coelho, receberam no último dia 15 de junho, o prêmio de melhor trabalho apresentado na forma oral no XVIII Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, realizado em Fortaleza (CE).

O trabalho, intitulado "Cartografias contra-hegemônicas como ferramentas de efetivação de direitos: o caso da comunidade do Banhado, São José dos Campos-SP" contou com a colaboração de outros seis pesquisadores*, e falou sobre a experiência de uso das geotecnologias e Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPA) para prover visibilidade e suporte tecnopolítico na comunidade do Banhado.

Clique aqui para visualizar o certificado (em breve, o artigo sobre este trabalho será disponibilizado no site do IAU).

Construir mais prédios realmente torna as cidades mais inclusivas?

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A verticalização das cidades é realmente um fator importante para proporcionar a inclusão social? Em que medida processos de verticalização implicam em transformações do tecido urbano e de suas práticas socioespaciais? Um projeto de pesquisa bilateral firmado entre Brasil e França - mais especificamente entre o Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP) e a Universidade de Lyon (UdL) – aborda essas e outras questões. "A sustentabilidade social tem um peso grande nesse projeto, porque a discussão que buscamos fazer é: em que medida a verticalização das cidades, na lógica do modelo neoliberal de produção da cidade atual, efetivamente promove, ou busca promover uma maior inclusão", explica Manoel Rodrigues Alves, docente do IAU e um dos coordenadores do projeto.

Dentre as hipóteses urbanísticas, sociais, culturais e simbólicas averiguadas no projeto, uma delas investiga justamente em que medida esse fato, inclusividade, comprova-se na prática. Para viabilizar esse argumento, Manoel e pesquisadores do projeto - que congrega membros de quatro universidades brasileiras, bem como de universidade francesa e argentina -, mesclam docentes, alunos de graduação e pós, no desenvolvimento de pesquisas transdisciplinares teóricas e de campo.

O projeto investiga aspectos de distintos processos metropolitanos de verticalização, em particular nas cidades São Paulo e Lyon, tendo como foco os edifícios highrises: prédios com mais de 10 pavimentos ou mais de 50 metros de altura. Iniciado em 2017, o projeto compreende quatro etapas principais: a primeira promove um diagnóstico espaço-temporal de aspectos da verticalização no continente europeu e na América do Sul e a segunda contextualiza singularidades e questões da legislação na construção dos edifícios highrises no Brasil e na França. Finalmente, as duas últimas etapas, fortemente analíticas, estão relacionadas aos modos de vida, representações e imaginário dos moradores dos edifícios. "Que práticas socioespaciais ocorrem no entorno desses edifícios? Em que medida o discurso sobre novos modos de morar efetivamente acontecem? Responder a essas perguntas é o objetivo principal dessas últimas etapas, sendo necessária muita pesquisa de campo para responde-las", elucida Manoel.

Impressões in loco

Porém, antes de se iniciarem os trabalhos em campo, trabalhosas análises qualitativas e quantitativas foram feitas (clique aqui para acessar a imagem). Conforme já mencionado, o projeto foca suas atividades em São Paulo e Lyon. Mas não se pretende trazer um quadro comparativo entre essas duas cidades, visto que possuem duas realidades completamente distintas, inclusive no que se refere à quantidade de highrises: Lyon tem 150, enquanto São Paulo tem mais de 19 mil. "Porém, colocar essas cidades lado a lado no projeto torna-se relevante, porque o que estará em xeque é a lógica de produção das cidades. O resultado espacial, independente do contexto sociocultural e de singularidades do urbano, responde cada vez mais a imagens globais pré-definidas. Isso, obviamente, reflete-se na arquitetura e no urbanismo, não importa se em Lyon ou se em São Paulo", elucida Manoel. "A lógica de produção das cidades é cada vez mais global e homogênea e promove estruturas espaciais cada vez mais similares".

Em relação às fases de análise, que precedem os trabalhos em campo, o projeto considera cinco escalas diferentes: a continental (Europa e América do Sul), regional (Brasil e França), local (região metropolitana de São Paulo), intraurbana e o edifício em si. Mas qual será a estratégia utilizada pelos pesquisadores para dentre milhares de edifícios paulistanos escolher aquele que será analisado?

Para fazer esse desafiador filtro, os pesquisadores adotaram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador universal, para possibilitar a caraterização de unidades territoriais de análise em distintos contextos. No caso de São Paulo, eles têm como base os dados fornecidos pelas Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH / UDH-M) (clique aqui para acessar a imagem). De acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, as UDHs foram delineadas para gerar áreas espaciais mais homogêneas, do ponto de vista das condições socioeconômicas, e voltadas para a análise espacial das regiões metropolitanas por meio de recortes espaciais de maior homogeneidade socioeconômica, com o objetivo de retratar as desigualdades intrametropolitanas de forma mais contundente. "As UDHs nada mais são do que bairros divididos de acordo com o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano]. Os bairros nem sempre são homogêneos, mas a UDH traz um nível de confiança de que todo aquele território tem o mesmo IDH", explicam os bolsistas do projeto, Luiana Cardozo, Aluísio Martel, Jeanne Vilela, Letícia Ribas, Natália Braga e Vanessa Rodi**. "As UDHs são menos arbitrárias do que um bairro, sob o ponto de vista socioeconômico".

De acordo com Manoel, por meio de metodologia específica desenvolvida para a leitura de territórios urbanos e emprego de distintas bases de dados, por meio de softwares de SIG e aplicativos específicos, os dados são sistematizados nas UDH-M, na produção de cartografias e narrativas espaço-temporais do processo de verticalização em São Paulo. "Adotamos quatro faixas de IDH em São Paulo, de menor ao maior IDH. Fazemos uma série de estudos tendo como base os dados fornecidos. Conforme vamos afunilando a análise, ela passa a ser muito mais qualitativa do que quantitativa", explica.

A verticalização é inclusiva: fato ou mero discurso?

Após as análises qualitativas e quantitativas, os pesquisadores iniciaram os trabalhos em campo. Durante as observações in loco, o projeto compreende não somente o contato com os moradores dos edifícios, mas também interlocuções com agentes municipais, procurando promover a troca de experiências autônomas.

Mesmo que as análises estejam em desenvolvimento e os resultados sejam preliminares, Manoel diz que hipóteses do projeto já se comprovam em grande medida, inclusive em relação à verticalização das cidades as tornarem mais inclusivas. Para pesquisadores do projeto, cada vez mais, a cidade, bem como as construções nela, são vistas como commodities, e o espaço urbano passa a ser um elemento fundamental de reprodução do capital. "Você tem, portanto, lógicas e consequências que inviabilizam a inclusão", diz Manoel. "O argumento de que é possível, através da verticalização, promover uma cidade mais densa e, consequentemente, mais inclusiva e espacialmente justa não se comprova em diversas de nossas análises. A construção de prédios torna a cidade mais densa, mas não mais inclusiva".

Construindo uma linha do tempo que associa legislação e outros diferentes tópicos referentes à verticalização das cidades, como fatos sociais e políticos, por exemplo, os integrantes do projeto constatam processos de "financeirização" da cidade, distintos em suas especificidades e singularidades no Brasil e na França. "Essa linha de trabalho sequer existia no projeto, e agora é uma de suas principais. Em 2012, por exemplo, há um pico de verticalização em São Paulo, da mesma maneira que no Minha Casa Minha Vida também tem um pico de verticalização. O que isso representa? Nós ainda nos debruçaremos sobre esse tipo de análise também", adianta Manoel.

Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Agence Nationale de la Recherche (ANR- França), o projeto, iniciado em 2017, tem prazo de vigência até 2020, e tem produzido uma imensidade de dados, quali e quantitativos. Decorridos quase dois terços de seu prazo, já é possível vislumbrar parte das contribuições que a pesquisa fornecerá, entre elas produção de narrativas, informações sobre tendências à verticalização, contextualização e desenvolvimento do conceito de inclusão, além do "efeito colateral" de internacionalização do IAU, através da forte parceria com Lyon. "Ao final do projeto, teremos a realização de um evento internacional. Haverá também publicações, já iniciadas, assim como participações em congressos internacionais, que, esperamos, expressem o amadurecimento do projeto e de suas reflexões", conclui Manoel.

* Christian Montès, docente da UdL, é o coordenador do lado francês

** com exceção de Luiana, todos os outros são alunos de graduação do IAU

*** Emporis, EMBRAESP, Atlas Brasil e Geosampa

Docente do IAU, Profa. Dra. Lucia Zanin Shimbo, é contemplada com prêmio

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_ a Profa. Dra. Lucia Zanin Shimbo foi contemplada com o "Prêmio Excelência para novas Lideranças em Pesquisa na USP", promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa, na área de Ciências Sociais Aplicadas, "pela sua significativa contribuição para estudos multidisciplinares sobre os processos de urbanização, com grande impacto social".

A Comissão de Pesquisa do IAU parabeniza a Profa. Lucia pelo merecido reconhecimento! Esse Prêmio objetiva incentivar novas lideranças e valorizar a excelência na pesquisa científica da Universidade de São Paulo. A Profa. Lucia foi selecionada no IAU por uma comissão composta pela CPQ e por docente externo ao Instituto. Em seguida, a candidatura foi enviada à PRP, que efetuou a seleção entre todos os inscritos da USP, nas diferentes áreas do conhecimento, conforme documento anexo.

A cerimônia de premiação, aberta à participação de toda a comunidade USP, será realizada no dia 30/10/2019, às 14h30, na Sala do Conselho Universitário.

Memorial

Docentes do IAU publicam capítulos no livro “Materiais de Construção” de L.A. Falcão Bauer

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_ Em agosto de 2019, foi lançada a sexta edição do livro "Materiais de Construção" do autor L.A. Falcão Bauer - vols 1 e 2, pela editora LTC Livros Técnicos e Científicos Editora Ltda., integrante do GEn | Grupo Editorial Nacional.

Os docentes do IAU, Prof. Titular Eduvaldo P. Sichieri e Prof. Dr. Bruno Luís Damineli, são autores de capítulos do livro, a saber:

. Prof. Dr. Bruno Luís Damineli - Capítulo 12 "Ensaios acelerados para previsão da resistência do concreto".

. Prof. Titular Eduvaldo P. Sichieri - Capítulo 20 "Metais" p. 222, e capítulo 21 "Produtos siderúrgicos" p. 270;

História viva do IAU: Fátima Mininel

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_ Uma bonita menina de 16 anos queria começar a trabalhar e a ganhar o próprio dinheiro. Seu pai, que já trabalhava na Universidade de São Paulo (USP) há muitos anos, e foi o primeiro secretário do Departamento de Arquitetura da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), em princípio, não gostou da ideia. "Comecei a fazer um curso de datilografia e perguntei ao meu pai se, para treinar, eu poderia usar alguma máquina de escrever que ele tivesse no trabalho. Coincidentemente, ele tinha uma máquina de escrever no canto de sua sala e, todos os dias, eu ia pra lá treinar datilografia. A professora Julieta Martinelli sempre me via lá no cantinho e, um dia, ela perguntou ao meu pai se eu gostaria de trabalhar como secretária dela, em princípio, sem remuneração. Eu queria mesmo era ganhar meu dinheirinho, mas topei a proposta só pelo aprendizado".

O depoimento acima é de Fatima Maria Leal Mininel, chefe do Serviço de Expediente e Protocolo do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP), e descreve como ela, ainda adolescente, começou sua carreira na USP, que mantém com alegria até os dias de hoje, 37 anos depois do fato narrado no primeiro parágrafo.

Depois de trabalhar um ano sem qualquer remuneração, Fatima participou de um processo seletivo e foi aprovada, dando início oficial à sua carreira na universidade, em 1983. Como grande parte dos funcionários de carreira da USP, Fatima passou por diferentes setores, incluindo a diretoria da EESC e a Secretaria e Gerência Administrativa do Departamento de Arquitetura (SAP).

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Ao ser criado o Instituto de Arquitetura e Urbanismo em 2010, Carlos Martins, o primeiro diretor do IAU, convidou Fatima para chefiar o Serviço de Expediente e Protocolo, algo completamente novo para ela. "A Cleverci [Malaman,funcionária do IAU] trabalhou anos no protocolo, e me ensinou muita coisa! Ela me levou, inclusive, em todos os protocolos do campus, para que eu conhecesse o funcionamento de cada um. Sou muito grata a ela", conta.

Mesmo depois de tantas décadas em serviço, Fatima mantém o entusiasmo pelo trabalho, e afirma ter muito amor pelo que faz. "Como tudo na vida, aprendi muita coisa e batalhei muito para estar onde estou. Foram anos de aprendizado e toda minha vida foi aqui na USP. Tenho muito amor por este lugar", diz.

Ela relembra que muitos professores, alunos e funcionários já passaram e se foram. E, nesse sentido, ela tem muitas recordações e cita alguns fatos marcantes, como o da ex-docente do IAU, Mayumi Watanabe de Souza Lima, que morreu em um acidente de carro. "Mayumi, que morava em São Paulo, sempre trazia para nós um strudel, que preparava de madrugada. Ou então ela trazia algum presente que era exatamente a sua cara. Foi uma pessoa muito especial", relembra.

Mas, para ela, marcante mesmo é o carinho e o respeito que sempre recebeu de todos. E, com tanto carinho pelo que faz, pela instituição e pelos colegas de trabalho, Fatima diz ainda não ter vontade de se aposentar. "Isso tudo é o que me mantém aqui até hoje, sem vontade de querer sair", conclui.

Legenda da imagem 1: Fátima Mininel (créditos: Paulo Victor Souza Ceneviva)
Legenda da imagem 2: Foto tirada em 1983, quando Fátima ingressou na USP. Da esquerda: Adriana Ferrari, Cristina Scabora, Sônia Costardi, Fátima Mininel e seu pai Rui Leal (créditos: arquivo pessoal)

História viva do IAU: Antonio João Tessarin

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Grande parte dos funcionários do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP) acompanhou de perto o nascimento do IAU, em 2010, sendo responsáveis diretos por estabelecer e concretizar as diversas tarefas e ações que são parte do dia a dia do Instituto.

Nesse sentido, o ex-funcionário, Antonio João Tessarin, pode ser considerado a história viva, não somente do IAU, mas do próprio campus da USP São Carlos, visto que sua carreira na universidade começou quando ele tinha apenas 15 anos. "Eu ingressei na EESC [Escola de Engenharia de São Carlos] em 1971, no Departamento de Transportes, onde trabalhei até 1993. Nessa época, tive a oportunidade de me transferir para o Departamento de Arquitetura e Planejamento [SAP], onde assumi a Secretaria do Departamento", relembra.

Ao vir para o Departamento, ele chegou em um momento no qual a pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo estava sendo reformulada, inclusive, com a contratação de novos docentes. "Meu relacionamento, praticamente, era com os docentes, especialmente na parte de contratações e renovações de contratos, bem como assuntos relacionados a graduação", relembra. "Com a criação do IAU, em 2010, como não havia Departamento, pois se criou uma estrutura mais enxuta para o Instituto, eu assumi a chefia da Serviço de Assistência aos Colegiados da área acadêmica".

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Carteira funcional de Antonio João (créditos: arquivo pessoal)

Com seus mais de 40 anos de USP, João adquiriu conhecimentos suficientes para atuar e auxiliar em diversas tarefas, algo precioso quando o IAU foi criado, visto que a quantidade de funcionários sempre foi pequena. "Mesmo contando com poucas pessoas, sempre batalhamos para que todos os setores estivessem cobertos, para que fôssemos capazes de suprir todas as necessidades. Foi um desafio, especialmente no primeiro ano, mas conseguimos recrutar mais servidores para dar conta de todas as tarefas", relembra.

E, fazendo parte ativa do crescimento e amadurecimento do IAU, João, mesmo depois de tantos anos de USP, agregou novos aprendizados, profissionais e pessoais. "Todos que vieram para o IAU tiveram que aprender como estruturar e montar uma nova Unidade, e essa foi uma ótima experiência. Ou recrutávamos novos funcionários, ou aprendíamos novas funções", conta.

Sete anos após da criação do IAU, e depois de 46 anos de carreira na USP, João se aposentou em 2017. "Trabalhei e aprendi muito durante todos esses anos, mas agora decidi viver para mim e para minha família. É claro que o trabalho é importante e gratificante, mas chega um momento no qual você tem que entrar nessa outra etapa da vida que a gente tem que olhar para a vida da gente", finaliza.

Créditos da 1ª imagem: Paulo Victor Souza Ceneviva

Atendimento psicossocial no IAU: atualização do local e do horário de atendimento

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A partir do próximo dia 19 de junho, o Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP) contará com um serviço de acolhimento psicossocial para alunos, docentes e funcionários do Instituto. 

Essa intervenção é parte de um projeto que está sendo implementado e que pretende promover ações de cuidado em saúde mental à comunidade uspiana. Desde abril deste ano, o Serviço de Promoção Social e Moradia Estudantil do campus conta com um serviço de acolhimento psicossocial, com equipe composta pelas assistentes sociais do campus e por estagiários de psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que são supervisionados pela professora Tais Bleicher, psicóloga e docente no departamento de Psicologia da UFSCar.

No IAU, os atendimentos serão feitos pela estagiária Ana Clara Facioli. "É oferecido o acolhimento psicossocial por demanda espontânea àqueles que sentirem estar em situações de sofrimento psíquico ou que forem encaminhados. Pretendemos ainda ofertar grupos que poderão trabalhar temáticas de comum interesse, em especial sobre temas que envolvam o contexto da vivência universitária", explica Ana Clara.

Os atendimentos no IAU serão feitos todas as quartas-feiras, a partir do dia 19, das 10h30 às 13h30 e das 16h30 às 18 horas, na sala 2 do CPDiGi.

Para mais informações, basta enviar e-mail à O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.