Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos

"Concurso Arquitetura" premia dois alunos do IAU

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De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2017, o número de pessoas deslocadas por guerras, violência e perseguições bateu um novo recorde pelo quinto ano seguido: 68,5 milhões*.

Ciente dessa triste realidade, o portal Concurso Arquitetura escolheu como tema de seu concurso de 2018 "Habitação temporária para refugiados", sendo que a solução apresentada deveria proporcionar "requisitos mínimos a uma vida digna e responder às necessidades mais imediatas dos habitantes".

Os alunos do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP), Paul Newman dos Santos e Renan Leite Antiqueira, aceitaram o desafio, e o resultado foi melhor do que o esperado: entre cerca de 500 inscritos no concurso, Paul conquistou a 4ª colocação, enquanto o projeto de Renan ficou classificado entre os 20 melhores.

Os projetos

Renan optou por um projeto de uma habitação transicional. "Esse tipo de habitação faz a transição das pessoas que estão chegando em um país novo, em uma situação difícil e precária, então a habitação não poderia ser tão efêmera. Elas precisam de tempo para se estabelecer em um local", explica o aluno.

Com isso em mente, ele construiu um módulo pop out, módulo estrutural pré-fabricado que se dobra conformando arcos de círculos com três unidades habitacionais cada um, com cerca de 25m², e capacidade para abrigar de quatro a cinco pessoas.

A estrutura básica do módulo é steel frame, mas o revestimento pode ser de qualquer tipo de material, o que abre a possibilidade para utilização daquilo que tiver em maior abundância no local onde o refugiado irá se instalar. "É um processo construtivo muito rápido, que não necessita de mão-de-obra especializada", explica Renan. "Utilizei telha translúcida, para que a habitação tivesse iluminação e aquecimento naturais, e fiz janelas basculantes, para que houvesse ventilação cruzada", elucida.

O módulo projetado por Renan também considerou a acessibilidade. Além disso, o projeto permite que as habitações também tenham outras funções, podendo ser utilizadas como restaurantes, hospitais etc.

Paul escolheu madeira e taipa (bambu e terra) como matérias-primas para construção de sua habitação, "O júri do concurso disse que o que chamou a atenção em meu projeto foi a utilização desses materiais para gerar plasticidade e funcionalidades não convencionais", diz Paul. "Escolhi esses materiais, pois eu queria que fosse uma construção mais coletiva, que as pessoas pudessem montar de maneira colaborativa. É mais fácil aprender a mexer com terra e madeira, pois o manuseio desses materiais não exige um acompanhamento técnico tão rigoroso, facilitando o trabalho".

Para acessar a imagem dos projetos em alta resolução:

- Clique aqui para acessar o projeto de Paul

- Clique aqui para acessar o projeto de Renan

*https://nacoesunidas.org/acnur-numero-de-pessoas-deslocadas-chega-a-685-milhoes-em-2017/

Pense no velho!

Quando se fala em arquitetura, pensamos imediatamente em construção de algo novo, mas dificilmente na preservação de algo velho, o que tem se tornado cada dia mais necessário, especialmente por questões ambientais.

No projeto "Patrimônio e Mídia Digital", coordenado pelo Núcleo de Estudos de Habitares Interativos do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (NOMADS- IAU/USP), do qual fazem parte os docentes Anja Pratschke e Marcelo Tramontano, conservação é uma premissa e, mais do que isso: uma filosofia orientadora.

Dentro deste projeto, vários outros são abrangidos, entre eles o de iniciação científica da aluna de graduação, Maria Clara Cardoso. Orientado por Anja, o trabalho, intitulado "Levantamento e leituras de estudos de caso sobre a inserção de recursos digitais na gestão e preservação do patrimônio", teve como principal diferencial as metodologias utilizadas, que abarcaram estudo de caso, levantamento bibliográfico e dois experimentos. "Primeiro, fizemos levantamento de textos contemporâneos sobre patrimônio, educação e gestão. Posteriormente, juntamente com as doutorandas Sandra Schmitt Soster e Jessica Aline Tardivo, fizemos oito estudos de caso sobre educação patrimonial", explica a docente.

Dentro dos dois experimentos realizados, um deles teve Brotas (SP) como campo empírico, onde foi feito um mapeamento da cidade, que contou com a participação direta de algumas entidades do município, em especial as Secretarias Municipais de Educação e Cultura e a Escola de Ensino Fundamental "Álvaro Callado", a ONG "Casa Júa" e a própria população da cidade, que auxiliou na estruturação e implementação da investigação.

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Alunos durante o percurso fotográfico guiado. Brotas, 2018 (Fonte. Arquivo da pesquisa, Tardivo, 2018)

Anja destacou o envolvimento da população de Brotas no projeto, especialmente dos alunos das escolas participantes, que auxiliaram no levantamento temático, e produziram fotomontagens a partir das leituras e interpretações sobre tudo que viram em um passeio guiado. "Tudo isso resultou em uma exposição na praça central 'Amador Simões de Brotas'. Os pais dos alunos e os habitantes da cidade prestigiaram a exposição. A ideia foi chamar a atenção para a cidade e focar em sua conservação, mostrando tudo de belo que ela tem", diz Anja. "Utilizando smartphones e softwares livres para edição de imagens, todos os participantes puderam fazer um mapeamento completo da cidade, provando que, com poucos recursos, é possível conhecer e, sobretudo, preservar".

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Oficina de Fotocolagem digital. Brotas, 2018 (Fonte. Arquivo da pesquisa, Tardivo, 2018)

O interesse em preservar

De acordo com Anja Pratschke, o tema de preservação e patrimônio é de interesse de diversos grupos de pesquisa e alunos do IAU. "O interessante do patrimônio é que não é preciso se pensar em um projeto: a obra já está ali e, como arquiteto, o pensamento será voltado sobre como valorizar o que já existe", explica.

O tema, além de interdisciplinar, tem o apelo da sustentabilidade, já que a recuperação daquilo que já foi construído custa muito menos para o meio ambiente do que começar construções do zero.

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Exposição das Fotocolagens na Praça Amador Simões. Brotas, 2018 (Fonte. Arquivo da pesquisa, Tardivo, 2018)

A temática também tem ganhado relevância no meio acadêmico e prova disso é o trabalho da própria Maria Clara, que foi destacado na etapa internacional do Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica (SIICUSP), recebendo menção honrosa. "Além de trazer uma diversidade de metodologias, que oferece entendimento diferenciado, Maria Clara teve muita disposição em realizar o estudo, e isso foi o que realmente fez a diferença", conclui a orgulhosa orientadora.

Representação de universidades é reduzida no Condephaat

Condephaat

O governador de São Paulo, João Doria, mudou a composição do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat ) do Estado de São Paulo. Na prática, isso significa que haverá uma redução na quantidade de cadeiras ocupadas por pesquisadores das três universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp), a fim de aumentar a representação do governo nas decisões. O presidente da República, Jair Bolsonaro, também revogou a existência de vários conselhos por meio de decreto.

Inconformados e indignados com a decisão do governo estadual, docentes das três universidades públicas estaduais divulgaram um manifesto, assinado, inclusive, por diversos docentes do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP).

Para acessar o manifesto na íntegra, clique aqui.

Texto adaptado de matéria publicada no Jornal da USP (clique aqui para acessar a matéria na íntegra).

Livro de docente do IAU recebe prêmio

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No último dia 17 de abril, a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR) premiou o livro "Planejamento Regional no Estado de São Paulo: Polos, Eixos e a Região dos Vetores Produtivos", de autoria de Jeferson Tavares, docente do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP). O livro foi premiado na quarta edição do Prêmio "Ana Clara Torres Ribeiro", cujo júri foi composto por por Maria do Carmo L. Bezerra (UnB), Madianita Nunes da Silva (UFPR), Hipólita Siqueira de Oliveira (UFRJ), Gilberto Corso Pereira (UFBA) e Simaia Mercês (UFPA).

O livro, originado da tese de doutorado de Jeferson, discute o desvendamento das ideias, planos, projetos e obras que determinaram a atual lógica do território paulista. Resultado de oito anos de pesquisa junto ao IAU, o livro partiu dos atuais conflitos do processo de urbanização brasileira para compreender como e por que o Estado e a iniciativa privada constituem espaços de permanências de investimentos nos âmbitos local, metropolitano, regional e nacional.

Para acessar o resumo do livro, clique aqui.

Sobre a ANPUR

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional é uma entidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que congrega programas universitários de pós-graduação e entidades brasileiras que desenvolvem atividades de ensino e/ou pesquisa no campo dos estudos urbanos e regionais e do planejamento urbano e regional.

Sendo a instituição de maior importância na área de pós-graduação e pesquisa em planejamento urbano e regional, a premiação oferecida pela entidade é um reconhecimento legítimo.

Para mais informações sobre a ANPUR, clique aqui.

Pesquisadores do IAU/USP lançam site de consulta à população

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Alunos e professores da disciplina de Projeto de Arquitetura 3, do curso de Arquitetura e Urbanismo do IAU/USP, lançarão no próximo dia 27 de março o portal "Sanca Centro". A iniciativa tem como um dos objetivos colher opiniões da população para uma proposta de redesenho urbano do centro de São Carlos.

No site em questão, duas temáticas são exploradas: Memória e Sociabilidade Urbana. Nele, há um espaço no qual qualquer pessoa poderá inserir imagens, recentes e/ou antigas, de locais do centro de São Carlos, e comentários. "A ideia é ver quais são os pontos de encontro preferidos, os lugares que são evitados, e os locais de memória para a população, por isso é importante que pessoas de diversas idades participem", diz Juliana Trujillo, doutoranda do IAU.

Além da inserção de imagens, os internautas também poderão responder a questões relacionadas à cidade, inserindo informações referentes aos locais que frequentam no centro. "Também queremos saber por que as pessoas frequentam ou não o centro da cidade, em que horários preferem fazê-lo, e por quais razões visitam esses locais", explica Juliana.

Ela acrescenta que esta é a primeira vez que a população é convidada a opinar sobre o centro em um site desse tipo, e conta que, quando as propostas de novos projetos forem finalizadas (junho deste ano) também serão disponibilizadas no site para que as pessoas avaliem.

Para obter mais informações sobre ou projeto ou participar da pesquisa, basta acessar o endereço eletrônico http://www.nomads.usp.br/sancacentro/

Lixo de uns, tesouro de outros: Pesquisadores do IAU reciclam sobras de plástico para construção de mobiliário escolar

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Já se tornou lugar comum dizer que o uso desenfreado do plástico tem sido uma ameaça constante ao planeta. Além de estar massivamente presente em nosso cotidiano, o tempo de sua decomposição é expressivo (cerca de 400 anos), sendo que, desde 1950, 8,3 bilhões de toneladas de plástico já foram produzidas no mundo*.

Se, por um lado, já temos plena consciência de que algo precisa ser feito, por outro, poucas soluções têm sido apresentadas para lidar com o problema, e uma delas vem sendo desenvolvida no Laboratório de Construção Civil do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (LCC- IAU/USP), coordenada pelo docente Javier Mazariegos Pablos.

Lixo de uns, tesouro de outros

No que se refere ao comportamento frente à temperatura, existem dois tipos de polímeros (plásticos): os "termoplásticos" que, ao serem aquecidos, tornam-se maleáveis e, portanto, podem ser reutilizados. Já os polímeros "termofixos", mesmo aquecidos, não são maleáveis e, portanto, não reutilizáveis.

Em vez de tornar os polímeros termofixos um "fardo" para a natureza, Javier, dois alunos de doutorado do IAU/USP, Victor José dos Santos Baldan e Gustavo Ribeiro Palma, e um arquiteto e ex-aluno também do IAU/USP, Everton Randal Gavino, diante da impossibilidade de reutilizar esse tipo de plástico, decidiram recicla-lo, e de uma maneira bastante nobre: construindo mobiliários escolares.

A matéria-prima vem de uma indústria calçadista de Nova Hamburgo, que utiliza polímeros termofixos para produção de saltos de sapatos, rodas de skate, entre outras coisas. E é justamente com as sobras desses materiais que os pesquisadores trabalham. "As indústrias não sabem o que fazer com essas sobras, e mandam tudo para os aterros sanitários", conta Javier.

Durante seu mestrado, Victor fez a caracterização completa desse material, verificando que se trata de um isolante térmico, isolante elétrico e antichamas, características que o tornam excelente para utilização na construção civil. 'Durante o desenvolvimento da minha pesquisa de Mestrado, observei que o material desenvolvido apresentava excelente resistência mecânica, fator preponderante quando estudamos materiais aplicados à construção civil", relembra Victor. "A partir disso, criei uma metodologia que previa a caracterização completa do material, visando sua aplicação pelo setor de construção civil, por meio dos ensaios de condutividade térmica e elétrica e de flamabilidade. A descoberta de que o material é antichamas foi de fundamental importância, o que garante a sua ampla aplicação, tendo em vista os acidentes recentes relacionados à proteção e combate a incêndios", completa Victor.

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À esquerda, enrolado, resíduo da poliuretana termofixa; ao centro, poliuretana transformada em grãos;

à direita, poliuretana já prensada e pronta para uso (créditos: Victor Baldan)

Entretanto, a "fórmula certa" para reciclagem do material consistiu em encontrar a granulometria (tamanho do grão) ideal. Neste caso, duas granulometrias diferentes. "Misturar metade de grãos finos com metade de grãos grossos foi a solução, pois os grãos maiores sempre deixam vazios, que, por sua vez, são preenchidos pelos menores", explica Javier.

Na mistura dos grãos, foi feita a adição de resina de mamona, prensada em uma prensa térmica por 15 minutos, a uma temperatura de 50ºC, com força de cinco toneladas. Mas a rigidez do material ainda deixava a desejar, e foi então que veio a "cereja do bolo": colocar entre duas camadas do material uma manta de fibra de vidro. "O resíduo de poliuretana termofixa utilizado na pesquisa não era de dureza muito alta, por isso, o material confeccionado apresentava flexibilidade. Como a ideia do meu projeto de Mestrado era aplicar o material desenvolvido como elemento de construção civil, a partir de algumas observações em laboratório, resolvi incorporar a manta de fibra de vidro à mistura dos grãos e à resina de mamona, o que aumentou a rigidez e resistência mecânica do material em cerca de 50%", ressalta Victor.

Diversas possibilidades de uso

O material, cujo nome técnico é compósito de poliuretana termofixa reciclada, está em processo de patenteamento. Já o projeto de confecção de mobiliários escolares foi submetido à FAPESP, tendo sido aprovado como Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)**, e recebido uma verba de cerca de R$ 200 mil. "A ideia é fazer pranchetas, cadeiras, estantes etc.", conta Javier.

Inclusive, os pesquisadores envolvidos no PIPE foram convidados pela FAPESP a visitar o Salão Internacional do Design em Milão (Itália) durante os dias 9 e 14 de abril de 2019.

Entretanto, por apresentar tantas características promissoras, o compósito oferece infinitas possibilidades de uso, entre elas como forro e como paredes em sistemas de steel frame (gaiola de aço, na tradução para o português), sistemas inovadores que não utilizam água para sua construção, são rápidos de montar e muito leves. "Esses sistemas já são largamente utilizados no Japão e na Europa, mas no Brasil ainda não", diz Javier.

A metodologia proposta pode ser adaptada a diversos outros materiais que, como os compósitos de poliuretana reciclada, podem ser mais um fardo para o meio ambiente, a exemplo de cápsulas de café. Javier já tem uma aluna de iniciação científica trabalhando com essa possibilidade, mas essa história fica para um próximo texto.

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Da esquerda: Victor Baldan, Everton Gavino e Gustavo do Nascimento (créditos: Victor Baldan)

* Fonte: https://g1.globo.com/natureza/noticia/uso-desenfreado-de-plastico-ameaca-oceanos-e-saude-humana.ghtml

** http://www.fapesp.br/pipe/

"Como pensar num mundo a caminho do obscurantismo", por Paulo Fujioka

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O IAU ainda é uma escola jovem, enquanto unidade USP, em comparação com algumas instituições centenárias. Mas nesse breve tempo de vida, todas as personalidades convidadas para as aulas inaugurais causaram um impacto considerável na visão de mundo dos alunos, chegando a afetar até mesmo as escolhas de temas de TGI e de Pós-Graduação.

A aula inaugural da Graduação de 2019 continuou esta tradição, mas trouxe ao evento um patamar novo, com a dinâmica nova proposta por Hector Vigliecca, de maior engajamento com os alunos, tentando romper o formalismo mestre-aluno usual, e que reflete a forma de pensar e trabalhar do arquiteto em seu atelier, que sempre foi uma escola, uma continuação do curso de arquitetura.

Portanto, esta proposta de aula inaugural foi resultado de sua intensa, mas habitual reflexão da prática de projeto, e do que é ensinar arquitetura, e de como o arquiteto deve responder, de forma original e provocadora, às circunstâncias do momento histórico – daí o título "Como pensar em um mundo a caminho do obscurantismo – Qual é o sentido de uma reflexão transformadora".

A resposta não é trabalhada de forma linear, mas através de provocações: "Como podemos trabalhar com objetivos onde os limites e os tempos parecem indefinidos?" "Qual é o sentido de uma reflexão transformadora?" "Como definir e encontrar sabedoria?" que também não são respondidas com fórmulas e guias de procedimentos; parte-se do quadro desalentador da situação atual para apontar caminhos de diversas abordagens, para elaborar o conceito de "sabedoria de projeto", que culmina num outro conceito pessoal iluminador, o do "salto interpretativo" que resolve a charada.

Vigliecca mostra alguns exemplos das duas proposições. E a seguir, o arquiteto mostra como este salto interpretativo foi decisivo em alguns de seus projetos mais conhecidos de arquitetura na escala urbana.

É raro encontrar textos ou palestras em que um arquiteto brasileiro moderno descreva seu processo de trabalho. Vigliecca não apenas discute sua forma original de abordar o projeto, como também comenta uma bibliografia, também muito original e variada, erudita e provocante. E que não causaria surpresa entre bons arquitetos de prancheta, de quem sempre encontramos uma abordagem humanista e uma visão mais aberta de mundo.

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Durante toda a aula, Hector procurou provocar a plateia, tentando romper a formalidade do evento, mas estávamos curiosos demais em ver como se concluiria a apresentação. Mantivemos a ideia da aula inaugural em que haveria uma rodada de perguntas no padrão acadêmico, seguido de uma conversa mais informal, fora do auditório, onde seria possível um contato mais próximo com o arquiteto.

A rodada inicial propiciou perguntas incisivas, mostrando a reação atenta por parte dos alunos, sendo notável a defesa por Vigliecca da responsabilidade do arquiteto em propor uma solução de arquitetura, e não apenas atender necessidades técnicas. E na conversa ao ar livre foi possível se aprofundar em questões levantadas na aula e esclarecer uma questão importante, mas ausente da apresentação, como a formação do arquiteto em suas circunstâncias históricas, as influências e inspirações, a educação musical erudita, relações entre música e arquitetura. Perguntas atiladas que também tiveram respostas instigantes e provocadoras. Infelizmente não há espaço disponível aqui para comentar tudo que foi abordado. E seria necessário um tempo maior de sedimentação e reflexão para tal.

O arquiteto cobrou a falta de perguntas vindas de seus ex-colaboradores, eu e o Prof. Givaldo. Este respondeu pelos dois ao justificar que, num primeiro momento, ficava difícil pela nossa proximidade com ele, a vivência num atelier que era uma escola, e pelo impacto da aula (em que pudemos rememorar algumas questões levantadas no dia a dia do escritório). De fato, pessoalmente, trabalhar com Hector, como recém-formado, representou uma continuação da educação do arquiteto, um constante aprender e reaprender arquitetura, pois era e é um atelier-escola. Assistir a sua apresentação foi como reviver aqueles anos, onde todo dia era uma aula, às vezes angustiante, mas sempre entusiasmada, de arquitetura.

Muitos arquitetos já leram e ouviram, da parte de muitos professores desde a Graduação, que a solução de projeto não deve partir apenas da experiência prática de prancheta, ou do conhecimento do repertório, ou da cultura de referências projetuais; mas também em referências das ideias de historiadores, filósofos, escritores, poetas, pintores, escultores, compositores e performers musicais. Tais experiências podem despertar, alertar, destacar e traduzir inquietações, olhares, luzes, focos, pistas; elementos de uma prática sempre difícil, para qualquer arquiteto.

Ou seja, iluminar o que faltava para chegar na decisão de projeto, que se desenvolverá depois com a crença firme no acerto da solução e a segurança de poder defender de público a solução projetual. Ao longo da trajetória pessoal, ouvimos esta recomendação daqueles professores arquitetos que, frequentemente, são os que mais admiramos. Mas estes conselhos podem esbarrar por vezes, em nossa falta de vivência, leitura e experiência profissional quando jovens. Só com o tempo pode-se tentar entender ou incorporar tais práticas, se possível.

Hector Vigliecca teve a generosidade de compartilhar com os alunos e professores desta escola o caminho das pedras de seu processo de projeto, que em seu caso é fruto de uma intensa vivência passional e erudita, do projetar. Um processo de reflexão e desenho em tempo integral, percebendo e dialogando com outras luzes, e vozes como o da música (e dos músicos), da literatura, filosofia, história, artes, que podem contribuir ativamente para esta proposta ousada, provocadora do "salto interpretativo", de imenso potencial para o enriquecimento e refinamento do projeto. Diálogos que potencializam um desenhar mais rico e aprofundado. Daí a arquitetura se tornar uma paixão, pois absorve, ocupa e consome obsessivamente o tempo todo. Nunca nada está bom, pois sempre pode ser melhorado.

Portanto, só podemos agradecer ao arquiteto e professor pelo seu esforço de aula, pela grande alegria que sentimos ao assisti-la; e pelo ensinamento integral de arquitetura e projeto que ofereceu aos alunos, através de uma didática totalmente original e inusitada.

Texto: Paulo Fujioka (docente do IAU)

Imagens:

- Imagem 1: Hector Vigliecca  (à esq.) e Paulo Fugioka (créditos: Paulo Vitor de Souza Ceneviva)

- Imagem 2: Público presente na aula inaugural (créditos: Paulo Vitor de Souza Ceneviva)

A cartilha que ensina sobre onde você mora

Alagamentos, deslizamento de morros, lixo excessivo nas ruas, poluição, desmatamento em áreas de preservação, desperdício de recursos hídricos, assentamentos precários. A lista de problemas comumente encontrados nas grandes metrópoles brasileiras e, inclusive, em municípios de menor porte, é interminável. Essas e outras ocorrências são cotidianas nas cidades, e parte disso se deve à falta de envolvimento da população nessas questões.

Uma possível solução para essa apatia em relação aos problemas urbanos foi pensada há quase duas décadas por Miguel Antonio Buzzar, docente do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP). No final da década de 1990, quando trabalhava na secretaria de obras da prefeitura de Santo André, ele percebeu que a grande maioria das pessoas- e não somente as de baixa renda, como é comum se pensar- tem total desconhecimento sobre informações básicas da infraestrutura das cidades. "Parte considerável da população não sabe a diferença entre uma rede de esgoto e uma rede de águas pluviais. Em relação à energia elétrica, por exemplo, a população não tem ideia do que seja um transformador ou o significado de rede de alta tensão. Quando chove, as pessoas têm de lidar com os alagamentos, mas não sabem por que ele ocorreu", elucida. "As pessoas moram e habitam as cidades, mas desconhecem seu funcionamento".

Miguel, então, pensou em um projeto que privilegiasse alunos do ensino fundamental e médio, em princípio somente das escolas públicas, e que trouxesse, de forma dinâmica e interativa, a conscientização dos estudantes em relação ao seu entorno. "O projeto também contaria com uma publicação, a Cartilha Urbana, que traria, em uma linguagem simples a acessível, tópicos a respeito do funcionamento das cidades", relembra.

O projeto ficou adormecido por alguns anos, até que, em 2011, Miguel participou de uma rede da FINEP*, formada por pesquisadores de diversas universidades do país**, e que tinha como foco discussões relacionadas ao desenvolvimento de tecnologias sociais. "Um dos pressupostos relacionados à tecnologia social é que ela seja apropriada pela própria comunidade, visto que é voltada justamente para a resolução de problemas sociais que, por consequência, tragam a melhoria das condições de vida", diz Miguel. "Dessa forma, a população passa a ter papel ativo, deixando de ser objeto para se transformar em sujeito das soluções".

Nasce um projeto

Mesmo com todo projeto idealizado, foi somente em 2016, através dos Programas Unificados de Bolsas (PUB/USP) e de outros programas de financiamento da USP que o projeto, nomeado Cartilha da Cidade, ganhou forma e, de fato, foi concretizado. Além de um material impresso, o projeto conta também com Oficinas Urbanas, que levam os participantes do Cartilha da Cidade até as escolas para promover debates a respeito da cidade, e destacar a importância de seus recursos e serviços, e como eles funcionam. "Montamos seis oficinas, cada uma delas tratando de um ou dois tópicos da cartilha. Fizemos isso na Escola Estadual Bento da Silva César, Santa Angelina, São Carlos, durante aulas de geografia, e foi uma experiência muito legal, que animou muito os participantes para dar prosseguimento ao projeto", relembra Miguel.

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Jogo Urbano realizado na Escola Estadual "Antonio Adolfo Lobbe" em 2018 (créditos: acervo Cartilha da Cidade)

O feedback positivo inspirou uma nova ideia para o projeto: o Jogo Urbano, no qual os participantes são divididos em equipes, e cada uma delas é responsável por pensar em soluções para problemas encontrados nas cidades. "No jogo, cria-se uma cidade hipotética, e cada grupo representa um agente urbano: prefeitura, câmara municipal, agentes imobiliários, ministério público etc. A ideia é que haja um entendimento ou um esclarecimento das questões que envolvem situações de conflito ou de interesses opostos no interior das cidades", explica Miguel.

Jogo Urbano na prática e a formação de pequenos cidadãos

O Jogo Urbano foi adaptado para alunos de diferentes faixas etárias, contemplando o ensino infantil, fundamental e médio. Em 2018, alunos da turma de cinco a seis anos da Creche e Pré-Escola da USP São Carlos tiveram a oportunidade de participar do Jogo. "Coincidentemente, a turma estava trabalhando com questões relacionadas à construção, e quando os pesquisadores da Cartilha vieram aqui, casou com o trabalho que já estávamos fazendo", relembra Gabriele Fernandes da Silva****, professora da creche. "As crianças puderam montar a cidade, já utilizando conhecimentos prévios, mas através dos questionamentos dos pesquisadores os alunos puderam refletir melhor sobre outras questões, problematizando situações específicas, como a distribuição de hospitais e escolas, por exemplo".

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Jogo Urbano realizado na Creche e Pré-Escola da USP São Carlos (créditos: acervo Cartilha da Cidade)

A turma deste ano, que receberá novamente os pesquisadores do Cartilha da Cidade, também já está envolvida com questões dessa natureza, embora o foco seja completamente diferente do da turma anterior. "O bacana do projeto é que ele abrange diversos tópicos sobre as cidades e, novamente, conseguimos casar com o foco de investigação da turma deste ano, que tem a ver com localização. Percorremos o campus com as crianças, e algumas delas desenharam um mapa da universidade. Pensamos novamente em trabalhar a distribuição das ruas e como a questão do trânsito é pensada", elucida Gabriele.

Para ela, é muito importante que questões previamente discutidas com as crianças sejam revisitadas, e o Cartilha da Cidade é uma excelente oportunidade para isso. "Essas questões e essa experiência também são muito válidas para os educadores, pois também aprendemos como é possível transformar os saberes comuns em algo mais técnico e científico", diz. "Através de projetos como esse, o conhecimento flui muito mais rapidamente, pois é um conhecimento construído, e não imposto".

Para a diretora da Creche, Liliane Araújo, o projeto traz questões que serão pensadas pelas crianças de forma mais criativa. "As temáticas trabalhadas são de interesse das crianças, e elas lançam um novo olhar sobre situações cotidianas relacionadas ao trânsito, ao lixo, à maneira de se locomover, enfim, a questões espaciais em geral".

Gabriele conta que os alunos se interessam muito pelo espaço que os rodeia. "A primeira pesquisa de campo que fizemos foi no campo de futebol da USP, e chamou muito a atenção dos alunos as placas de sinalização. O Cartilha pode nos ajudar bastante nas questões relacionadas à organização das cidades, e tudo isso traz a questão da cidadania. Uma criança que se envolve mais a fundo nessas questões hoje, dificilmente no futuro irá parar em uma vaga de deficientes, por exemplo", diz Gabriele.

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Oficina Cartilha da Cidade (créditos: acervo Cartilha da Cidade)

Cartilha da Cidade: segunda edição

O segundo volume da Cartilha da Cidade "já está no forno", e nele novos tópicos e novas questões urbanas serão abordados. "Para que as oficinas e jogos chegassem ao formato que têm, muitos estudos foram feitos. Não é algo pronto e formatado, mas sim algo em desenvolvimento, que exige muita leitura, investigação e questionamentos", afirma Miguel.

Ele conta que o próximo passo será disponibilizar em um site os kits da Cartilha da Cidade, no qual poderá ser feito o download tanto da cartilha como também do jogo gratuitamente. Serão kits distintos para diferentes faixas etárias. Além disso, o site também deve ser um local virtual de discussão e compartilhamento de experiências. "O site pode até mesmo se tornar uma pequena rede com os participantes do projeto. Dessa forma, outras pessoas, de outros locais, têm a liberdade de também desenvolver outras versões da cartilha, realizando um desenvolvimento e aperfeiçoamento coletivos", diz. "O projeto ocupa um espaço muito importante na formação dos alunos. É um projeto extracurricular, mas poderia muito bem ser curricular, e, infelizmente, isso ainda não acontece, deixando um vácuo de conhecimento sobre a cidade", lamenta Miguel.

Coletividade, inclusive, é uma filosofia que rege o projeto Cartilha da Cidade, do qual participam alunos de graduação e pós-graduação do Instituto e de outras Unidades da USP*****. Mas a coletividade nesse contexto não se refere apenas ao desenvolvimento conjunto de ações, da qual todos os membros do projeto participam, mas sim em seu sentido mais amplo. "Os participantes do projeto agregam muito a ele, trazendo experiências e relatos. E uma das questões importantes no projeto é trabalhar com a vivência das pessoas, e apostamos que essa realmente seja uma das alavancas para a formação de cidadãos", conclui o docente.

* Financiadora de Estudos e Projetos

**Rede Morar. Ts (tecnologia social), composta pelas: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

*** Além de Gabriele, a professora Ismalia Caroline Silvati também participou do Jogo

**** Membros antigos: Desirée Figueiredo Carneiro, Ana Maria Beraldo, Analee Torres Sasso, Edimilson Rodrigues dos Santos Junior

Membros atuais: Miguel Antonio Buzzar, Miranda Zamberlan Nedel, Rachel Bergantin, Gabriele, de Campos Trombeta, Juliana Braga, Matheus Motta Vaz, Mayara Vivian P. Cruz,, Masae Kassahara, Beatriz Alves de Paula, Anna Clara Pires, Raissa Tronnolone, Tânia Bulhões, Gabriela Tomaz Feitosa dos Santos, Yara Cardoso, Verônica de Freitas, Florissa Maria Sartori Medeiros, Rafael da Cunha Faria , Yasmin Malaco Rocha, Jasmine Luiza Souza Silva

A arquitetura sob o ponto de vista sociológico

Cibele Saliba Rizek, docente do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP), foi educada em escola com ensino de língua francesa, o que lhe rendeu a fluência no idioma desde cedo. Desde então, a França é bastante presente em sua vida, especialmente na acadêmica, na qual parcerias muito bem-sucedidas já foram- e vêm sendo- firmadas com o país europeu.

O Laboratório Misto Internacional "Social Activities, Gender, Markets and Mobilities from Below (Latin America" (LMI.SAGEMM) é um desses exemplos. Resultado de uma chamada de bolsas do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento do governo francês, que contemplou somente 17 pesquisadores do mundo, entre eles Cibele, o projeto atua em três eixos distintos: atividades: as novas fronteiras das relações de trabalho e emprego; políticas sociais e mercados; e políticas sociais: reconfigurações e conexões.

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Políticas sociais e resultados eleitorias: distribuição nacional e regional de votos no primeiro turno de 2018 (créditos: Cibele Rizek)

Em poucas palavras, cada um dos eixos analisa, sob olhares diferentes, a conjunção de transformações no âmbito do trabalho, família e políticas sociais e de assistência. "A situação de trabalho é fundamental para pensar a desigualdade e a situação de pobreza", afirma Cibele. "Nós tentamos vincular trabalho, pobreza, economia solidária, iniciativas de estímulo da participação feminina, entre outras coisas".

Pesquisadora convidada da Sorbonne, no Departamento "Développement et Societés", Cibele ficou na França de outubro de 2018 a janeiro de 2019 participando de várias iniciativas relacionadas ao LMI, inclusive ministrando seminários em diversas instituições francesas, explanando os resultados obtidos no LMI, que fez um estudo comparativo entre diversos países da América Latina*.

Mapas eleitorais e multiescalaridade

Durante alguns dos seminários realizados nas instituições francesas a partir da coordenação do LMI, uma das observações mais marcantes foi em relação aos locais nos quais os candidatos à presidente da última eleição brasileira receberam seus votos: onde políticas sociais (como bolsa família, Pronaf** etc.) foram mais significativos, os votos concentraram-se totalmente em Fernando Haddad. "Através desses mapas, é possível visualizar os efeitos econômicos, sociais e políticos dessas ações", explica Cibele. "Utilizamos muito a ideia de territorialização das políticas e multiescalaridade".

O conceito de multiescalaridade permite que, através da análise de situações no microcosmo, seja possível compreender fenômenos maiores. "Se você estudar e analisar o bolsa família num município, por exemplo, você chegará no Banco Mundial. Então, tem-se a escala global, nacional e local de um mesmo fenômeno. Por isso, a análise torna-se multiescalar, que é o que traz a riqueza da pesquisa", elucida.

O olhar e as análises de Cibele provêm do aparato conceitual da sociologia urbana, que tem como objeto as interações humanas e a vida social em cidades e áreas metropolitanas, concentrando-se em temas como pobreza, contextos socioeconômicos, migrações, relações raciais e de gênero nos ambientes urbanos. "Uma dessas dimensões acaba por ter que considerar, a partir do diálogo com outras pesquisas e análises, o que se entende por violência urbana e militarização da gestão urbana, entre os quais as chamadas 'organizações criminosas' que atuam dentro e fora dos presídios e sua presença nos bairros populares", explica Cibele. "Graças a essas organizações, acaba por se formar 'um mercado da violência e da pacificação', assim como também existe um mercado moral das religiões, um mercado político, e assim por diante".

No futuro próximo

Durante sua estadia na França, Cibele, atendendo a um edital do Consulado Francês em São Paulo, que financia Cátedras para docentes daquele país no Estado, obteve uma das sete obtidas pelas universidades estaduais paulistas. Essa Cátedra, financiada pelos governos francês e brasileiro, tem como objetivo a circulação de docentes das universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp). A USP conseguiu quatro das sete cátedras francesas. Cibele foi contemplada com a única cátedra na área das ciências humanas e sociais, o que reforça mais uma vez a relevância de sua pesquisa.

Além disso, a docente aguarda o resultado de um projeto temático que encaminhou à FAPESP, intitulado "Reestruturação territorial e condições de desigualdade da metrópole paulistana no século XXI", do qual também farão parte os pesquisadores Raquel Ronik (FAU/USP) e Jeroen Johannes Klink (UFABC).

*Colômbia, Chile, Argentina e Brasil

** Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar