Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos

Pré-lançamento do livro “Rodrigo Brotero Lefèvre e a Vanguarda da Arquitetura no Brasil”

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No próximo dia 9 de abril, às 17 horas, no auditório do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP) "Paulo de Camargo e Almeida", ocorrerá o pré-lançamento do livro "Rodrigo Brotero Lefèvre e a Vanguarda da Arquitetura no Brasil", de autoria do docente do IAU, Miguel Antonio Buzzar. A obra é decorrente da tese de doutorado de Miguel, defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP), e pretende contribuir para o enriquecimento da historiografia moderna brasileira.

A obra de Lefrève é ainda hoje pouco conhecida. Tendo iniciado sua docência na FAU logo após ter se formado, ele foi um dos personagens chave do debate arquitetônico das décadas de 1960 e 1970. Juntamente com Sérgio Ferro e Flávio Império, problematizaram a associação entre arquitetura moderna e estado, e questionaram as relações de trabalho no canteiro de obras, propondo a ruptura da hierarquia baseada em saberes técnicos, frente aos saberes construtivos correntes desenvolvidos pelos trabalhadores.

Suas casas em abóbadas de tijolos constituem verdadeiros manifestos de uma produção arquitetônica que pretende não penalizar os trabalhadores no canteiro, que retira dos materiais convencionais suas máximas possibilidades técnicas para criar novas espacialidades. A concepção de sua obra é de reunião, de saberes, de trabalhos e de possibilidades técnicas construtivas que se fazem presentes em determinados contextos e situações.

Preso junto com Sérgio Ferro e outros companheiros em função do endurecimento do regime militar com o AI-5, após a sua libertação retornou à docência, inicialmente na FAU, e depois, também, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp). Quando arquiteto na Empresa de Consultoria Hidroservice, logo se destacou, assumindo a função de coordenador de projetos. Nesse trabalho, demonstrou, ao dirigir grandes e complexos projetos, que a opção por técnicas construtivas convencionais era parte de um projeto político e social maior, longe de significar um limite de seus conhecimentos profissionais.

Conforme salientou Sérgio Ferro durante a apresentação do livro,

É tempo de acabar com o ostracismo, profundamente injusto com relação a Rodrigo. Éramos como três irmãos (convém logo chamar o Flávio Império para nossa conversa). Diferentes, sem dúvidas, mas sem distâncias entre nós. As especificidades de cada um irrigava os outros sem parcimônia (eu saí ganhando, eles certamente sabiam, mas nunca reclamaram). Entretanto os favores sociais couberam mais ao Flávio e a mim. Culpa dele: sempre foi o mais rigoroso e intransigente em suas posições essenciais. O que o tornava o menos "sociável", mais ríspido nas respostas às provocações. Daí a injustiça do ostracismo.

Durante o pré-lançamento, o livro será vendido a R$60,00, com preço de capa a R$110,00.