Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos

Lançamento do livro “Rodrigo Brotero Lefèvre e a ideia de vanguarda no Brasil”

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No próximo dia 11 de junho (terça-feira), às 19h30, no Instituto Casa Vilanova Artigas (São Paulo-SP), ocorrerá o lançamento do livro "Rodrigo Brotero Lefèvre e a ideia de Vanguarda no Brasil", escrito pelo docente e diretor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP), Miguel Antonio Buzzar.

A obra de Rodrigo Lefèvre é ainda hoje pouco conhecida. Professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP), logo após ter se formado, foi um dos personagens chave do debate arquitetônico dos anos 1960 e 1970. Juntamente com Sérgio Ferro e Flávio Império, problematizaram a associação entre arquitetura moderna e estado, e questionaram as relações de trabalho no canteiro de obras, propondo a ruptura da hierarquia baseada em saberes técnicos, frente aos saberes construtivos correntes desenvolvidos pelos trabalhadores.

Suas casas em abóbadas de tijolos constituem verdadeiros manifestos de uma produção arquitetônica que pretende não penalizar os trabalhadores no canteiro, que retira dos materiais convencionais suas máximas possibilidades técnicas para criar novas espacialidades. Sua obra é uma obra de reunião, de saberes, de trabalhos e de possibilidades técnicas construtivas que se fazem presentes em determinados contextos e situações.

Preso junto com Sérgio Ferro e outros companheiros em função do endurecimento do regime militar com o AI-5, após a sua libertação retornou à docência, inicialmente, na FAU/USP, e depois também na PUCCamp. Quando arquiteto na Empresa de Consultoria Hidroservice, logo destacou-se assumindo a função de coordenador de projetos. Nesse trabalho, demonstrou, ao dirigir grandes e complexos projetos, que a opção por técnicas construtivas convencionais era parte de um projeto político e social maior, longe de significar um limite de seus conhecimentos profissionais.

O livro que será lançado é decorrente de tese de doutorado defendida na FAU/USP e pretende contribuir para o enriquecimento da historiografia moderna brasileira. Como salientou Sérgio Ferro na apresentação do livro:

É tempo de acabar com o ostracismo, profundamente injusto com relação a Rodrigo. Éramos como três irmãos, (convém logo chamar o Flávio Império para nossa conversa). Diferentes sem dúvida, mas sem distâncias entre nós. As especificidades de cada um irrigava os outros sem parcimônia (eu saí ganhando, eles certamente sabiam, mas nunca reclamaram). Entretanto os favores sociais couberam mais ao Flávio e a mim. Culpa dele: sempre foi o mais rigoroso e intransigente em suas posições essenciais. O que o tornava o menos "sociável", mais ríspido nas respostas às provocações. Daí a injustiça do ostracismo.

Clique aqui para assistir à entrevista de Miguel Antonio Buzzar sobre o livro.