Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos

IAU.USP em Casa - Ciclo de Palestras (1)

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_ 15/04 15h - Live no facebook.com/iau.usp

"A Peste e o Plano: o urbanismo sanitarista do Eng. Saturnino de Brito na Cidade de Santos" , com o prof. Carlos Roberto M. de Andrade (IAU USP)

Na virada do século XIX para o XX epidemias grassavam em cidades brasileiras ceifando vidas e comprometendo o pleno funcionamento da sociedade e da economia na República nascente, especialmente em capitais e cidades portuárias, como Rio de Janeiro e Santos, mas também no interior, como Campinas, em São Paulo.

Em cidades sem redes de saneamento básico e com grandes áreas alagáveis, a febre amarela propagava-se através do nosso velho conhecido, o mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em água parada, como sabemos. Tratava-se pois de fazer a água circular, evitar sua estagnação construindo redes de drenagem pluvial, mas também redes de abastecimento de água potável e de esgotamento sanitário, bem como dispor adequadamente o lixo urbano e melhorar as condições higiênicas das habitações, sobretudo as populares.

Se para os médicos a tarefa em situação epidêmica era tratar dos pestosos, implantando estações e regimes de quarentena, ou promovendo campanhas de vacinação, cabia aos engenheiros sanear o meio, prevenindo a ocorrência de epidemias. Foi isso que fez o Eng. Saturnino de Brito (1864-1929), saneando cerca de 40 cidades brasileiras entre fins do século XIX até seu falecimento em plena atividade profissional. Sucede que, ao elaborar projetos de saneamento para as cidades, aplicando o sistema separador absoluto, Brito também desenhava seus planos de extensão urbana, de modo a evitar que a cidade crescesse sem comprometer o bom funcionamento das redes de saneamento. Assim, contra a peste, Brito opunha um plano geral para as cidades e propunha uma ampla legislação sanitária, criando o que podemos chamar de urbanismo sanitarista, mas que não descuidava da dimensão estética das cidades, sob inspiração das ideias de Camillo Sitte.

Em nossa palestra apresentaremos seus projetos e planos para a Cidade de Santos, que foi o grande laboratório de suas realizações, e que redefiniram radicalmente a paisagem urbana local, marcando-a até a atualidade, com seus canais e avenidas laterais que promoverão novos locais de sociabilidade.

Como referências preliminares sugerimos o documentário "Os canais de Saturnino", de 2010, de Carlos José de Oliveira e Madeleine Alves dos Santos, da Fundação Arquivo e Memória de Santos, disponível aqui. E também o texto de minha autoria "Uma Hygeia tropical em fins do século XIX: Santos e a estação de quarentena do Eng. Fuertes", disponível aqui.   

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