Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos

IAU.USP em Casa - Ciclo de Palestras (2) - Diálogos (Encontro)

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_ 29/04 15h, com Artur Simões Rozestraten (FAU USP), Carlos Roberto M. de Andrade (IAU USP) e Luciano B. Costa (IAU USP) - acesso ao encontro em https://meet.google.com/xop-nzoz-wmd

HABITAR PARA ALÉM DA HABITAÇÃO - Ensaio sobre a Mobilidade das imagens do Habitar: continuidade, rupturas e experimentações – uma releitura em tempos de pandemia, Artur Rozestraten (FAUUSP)

Este diálogo retoma – no contexto atual – um ensaio redigido para o ICHT2019 que inter-relaciona três representações complementares sobre o imaginário do Habitar: depoimentos de pessoas que sobrevivem nas ruas ou habitam em ocupações no Rio de Janeiro e em São Paulo; imagens fotográficas; e reflexões teórico-conceituais.

O ensaio parte de considerações sobre as origens da "questão da moradia" na Inglaterra de meados do século XIX e apresenta imagens fotográficas referenciais, do início do século XX, que amparam a compreensão de uma alienação dos anseios do Habitar na medida de sua substituição pela habitação, hoje dita de interesse social. Delineiam-se assim os limites inferiores das condições e capacidades de habitar as cidades industriais e, em contrapartida, a definição de parâmetros arquitetônicos de "existenzminimum".

Em seguida, os horizontes do Habitar são reorganizados a partir de uma abordagem especulativa que investiga aspectos etimológicos, sentidos literais e metafóricos com o intuito de reconhecer esforços realizados por certas fenomenologias do Habitar desenvolvidas ao longo da segunda metade do século XX, mas já prenunciadas na "imaginação material" dos quatro elementos primordiais investigados por Gaston Bachelard desde meados dos anos 1930. Esta fundamentação permite então esboçar dois imaginários antagônicos manifestos nas grandes cidades brasileiras contemporâneas que conduzem a um questionamento quanto aos conflitos entre a natureza antecipatória do projeto de arquitetura e a urgência das experiências de construir para habitar em edifícios ocupados no centro da cidade de São Paulo.

Essa discussão conceitual e metodológica ampara uma abordagem indicial de imaginários divergentes a respeito da Tecnologia e o reconhecimento de experiências históricas realizadas na segunda metade do século XX que exploram aspectos de uma filosofia da técnica como "ciência humana", questionam o imaginário unilateral positivo e investigam os fundamentos das "técnicas do corpo" em torno dos "atos tradicionais eficazes".

Cabe então reconhecer que há lacunas iconográficas significativas que evidenciam a necessidade de pesquisas, estudos e experimentações futuras, como a constituição de constelações de imagens, dedicadas ao imaginário "negativo" do Habitar e do Construir a partir da Revolução Industrial e das transformações históricas ao longo do século XX e mais recentemente no século XXI, de modo a enriquecer a compreensão do fenômeno do Habitar no mundo contemporâneo.

Como uma sondagem preliminar em um tema complexo e multifacetado, o ensaio e esse diálogo pretendem trazer uma contribuição metodológica e iconográfica que se encerra com a apresentação de um conjunto de imagens fotográficas que contrapõem, à alienação do Habitar nas habitações "de interesse social", olhares sensíveis aos gestos e ações poéticas que, ao se apropriarem do construir, ressignificam aspectos essenciais da Arquitetura na adversidade da metrópole paulistana. Dentre tais imagens, a produção recente do fotógrafo Gui Christ sobre pessoas em auto isolamento em São Paulo, em razão da pandemia.

Link para o ensaio completo:
https://sites.usp.br/icht2019/wp-content/uploads/sites/416/2019/07/Book-1-ICHT-2019-16.07.pdf

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