Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos

103550_IAU.USP em Casa - Ciclo de Palestras (8) - Diálogos

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_ 09_setembro 17h00 - youtube.com/iauusp

Partindo-se do entendimento da Paisagem como "a materialização histórica da relação dinâmica entre os elementos e sistemas naturais e fabricados", é preciso relacionar seus atributos sociais, culturais, funcionais e ambientais, de forma sistêmica e transdisciplinar. Refletir sobre a pandemia e Paisagem, é também refletir sobre as desigualdades expressas no território, buscando articular políticas públicas e projetos potencialmente transformadores. Ana Cecília A. Campos (PUC-Campinas)

Por que planejar com a paisagem? Longe de ser algo novo, esse campo disciplinar relacionado à Arquitetura da Paisagem se funda ainda em finais do século XIX com essa expectativa: promover a infraestrutura para as cidades em crescimento, ao mesmo tempo em que tira partido dessa ação para promover lugares de preservação, encontro, lazer e saúde. A atualização desse ideário passa pela utilização de novas tecnologias e estratégias de pesquisa que incluem as pessoas e suas expectativas, desejos, apropriações. A paisagem se torna assim um lugar que aporta diferentes ações e reflexões, numa reunião fecunda que mira a vida unindo técnica, estética e ética. Luciana Bongiovanni Martins Schenk (IAU USP e ABAP):

O século XX testemunhou uma gama ambiciosa de projetos de planejamento para novas capitais ao redor do mundo. Embora esses projetos fossem motivados por condições políticas, econômicas e geográficas diferentes, muitos deles compartilhavam um entusiasmo pela paisagem como entendimento da urbe. As críticas, bem documentadas e geralmente aceitas do planejamento moderno, consideram muitos desses projetos como fracassos em termos sociais, ambientais e culturais. Muitas dessas capitais planejadas são hoje paisagens metropolitanas, projetos em reconfiguração, construídas a partir das memórias de migrantes, das parcelas mais desfavorecidas da população que flanam nos grandes espaços de representação ou às suas margens, para além das áreas projetadas originalmente.

O urbanismo modernista, ao desenhar e planejar novos assentamentos a partir do esboço, definiu a paisagem como um meio de resolver problemas sanitários, novos meios de transporte e formas de moradia. Em tempos de pandemia global, as questões higienistas do ideário moderno que estavam localizadas como parte da historiografia, ressurgem como problemática emergente. Em uma investigação interdisciplinar sobre as reivindicações históricas de planejamento, o status atual e a sua apropriação social, foca-se no estudo de Brasília, construída em 1960, tombada em 1987 pela UNESCO e metrópole em expansão com quase 4.000.000 de habitantes. Luciana Sabóia (UnB)

Ana Cecília A. Campos (PUC-Campinas) - Docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC Campinas e pesquisadora do LAB-QUAPÁ da FAUUSP. Integra a Rede Nacional de Pesquisa QUAPÁ-SEL, tendo participado dos Projetos Temáticos de Pesquisa sobre Sistemas de Espaços Livres e Urbanização contemporânea no Brasil (2007-2018). Com escritório próprio, atua em projetos de edificações, paisagismo e gerenciamento de obras.

Textos da Convidada:

MACEDO, S. S. ; GONÇALVES, F. M. ; CAMPOS, A. C. M. A. ; MEYER, j. ; QUEIROGA, E. F. ; CUSTÓDIO, V. ; SAKATA, Francine ; DEGREAS, H. N. ; LEMOS, I. S. ; COELHO, L. L. ; HYRIE, M. ; PEGORARO, R. L. ; REGUEIRA, T. ; TÂNGARI, V. R. ; DONOSO, V. . Os sistemas de espaços livres na constituição da forma urbana brasileira: transformações e permanências - século XXI. In: 8ª Conferência da Rede Lusófona de Morfologia Urbana. PNUM 2019 - Forma Urbana e Natureza, 2019, Maringá, PR. PNUM 2019 Anais. Maringá, PR: UEM/UEL de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, 2019. v. 1. p. 1635-1645. Em: https://pnum2019.wixsite.com/maringa ou https://drive.google.com/file/d/1EOn_hl8MYyS7Cw7XI8quuBpI8RRL4TOi/view

DEGREAS, H. N. ; CAMPOS, A. C. M. A. . As ruas de lazer na cidade de São Paulo: políticas públicas e apropriação. In: PNUM 2018. A Produção do Território: Formas Processos, Desígnios, 2018, Porto, Portugal. PNUM 2018. A Produção do Território: Formas Processos, Desígnios. Livro de Actas. Porto: Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, 2018. v. 2. p. 702-714.

Acesso em: https://pnum.arq.up.pt/wp-content/uploads/docs/PNUM2018_ACTAS_v3.13.pdf

Luciana Sabóia (UnB) - Arquiteta e urbanista (1997), estuda relações sobre paisagem, cultura e apropriação social em cidades planejadas do século XX. Professora da Universidade de Brasília (2010), doutora em Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica (2009). Recebeu menções em concursos (IAB-DF, 2015; IAB-SP, 2016) e também como orientadora (Ópera Prima, 2013; NAB/IAB-DF, 2015). É pesquisadora PQ2 do CNPq e pesquisadora visitante no Office for Urbanization na Harvard Graduate School of Design, em Cambridge, EUA (2017). Foi vice-diretora (2015- 2019) e desde 2019 está como coordenadora do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UnB.

Textos da convidada:

SABOIA, L. Narrar por Paisagens: habitar imaginários, reconhecer memórias, representar tessituras. In: Paola Berenstein Jacques; Margareth da Silva Pereira. Josianne Cerasoli (Org.). Nebulosas do pensamento urbanístico: tomo III - modos de narrar. 1ed.Salvador: EDUFBA (prelo)

SABOIA, L.. Arquitetura, Vazio Moderno e Espaço Social. PARANOÁ (UNB), v. 16, p. 51-62, 2016

https://periodicos.unb.br/index.php/paranoa/article/view/11594

Luciana Bongiovanni Martins Schenk (IAU USP e ABAP):

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU USP e em Filosofia pela FFLCH USP é docente da Graduação e Pós Graduação, IAU - USP. É presidente nacional da ABAP, Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas, gestão 2018- 2020. Mestre e Doutora pela USP é lider conjunta do Grupo de Pesquisa YBY - Estudos Fundiários, Políticas Urbanas, Produção do Espaço e da Paisagem. É uma das coordenadoras do GTPU, Grupo de Trabalho de Planejamento dos Parques Urbanos de São Carlos, SP e coordenadora do núcleo São Carlos da rede QUAPÁ-SEL, Quadro do Paisagismo no Brasil.

Textos da professora coordenadora:

SCHENK, L., & LIMA, M. C. (2019). O Método Cartográfico no projeto da Arquitetura da Paisagem. Risco Revista De Pesquisa Em Arquitetura E Urbanismo (Online), 17(2), 26-40. https://doi.org/10.11606/issn.1984-4506.v17i2p26-40 http://www.revistas.usp.br/risco/article/view/151355/156162

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