II SEMINÁRIO INTERNACIONAL URBIS_2025

ESTUDOS DE URBANIZAÇÃO: CONEXÕES IBERO-AMERICANAS

São Carlos, 1 a 3 de dezembro de 2025
Auditório Paulo de Camargo e Almeida – IAU-USP e Youtube do IAU

O URBIS – Grupo de Pesquisa em História do Urbanismo, da Cidade e da Habitação, do IAU-USP, representa uma formulação de projetos de pesquisa que lidam, em perspectiva histórica, com questões do planejamento, da habitação e da produção do espaço, ampliando seus horizontes para a história urbana na América Latina, África e Península Ibérica com desafios no campo da crítica historiográfica nos estudos de urbanização. Ilumina-se a compreensão dos agentes, com especial interesse nas agências estatais, bem como na conformação de culturas técnicas e de trajetórias profissionais, compreendendo-as em uma dinâmica não-hierárquica de circulação de saberes, práticas e ideias entre diferentes países.

Tendo completado 20 anos em 2023, o grupo realizou seu seminário bienal em âmbito internacional, avançando na sua internacionalização ao coordenar o Acordo de Cooperação Acadêmica Internacional entre o IAU-USP e a Escuela de Arquitectura da Universidad de Alcalá (EA-UAH), em Alcalá de Henares, província de Madrid, firmado em junho de 2024, com vigência até 2028, apontando para intercâmbios e a estruturação de projetos de pesquisa conjuntos.

Nesse marco acadêmico, institucional e intelectual, em dezembro de 2025 realizaremos nosso II Seminário Internacional, centrado nos estudos de urbanização, enquadrando temas e questões em conexões ibero-americanas, âmbito a explorar desde a história colonial a partir das políticas de urbanização empreendidas por Espanha e Portugal, constituindo o que hoje se compreende como África e América Latina.

No marco do Acordo de Cooperação com a UAH se localizam as conferências dos colegas, arquitetos e urbanistas da sua Escuela de Arquitectura: A primeira, de Paz Núñez-Martí, “Da favela ao conjunto em Madri: do realojamento massivo ao realojamento individual”, tratará das novas modalidades de reassentamento popular na capital espanhola, problematizando suas contradições na produção capitalista da cidade. A conferência de Roberto Goycoolea Prado, “Turismo e (in)justiça urbana na Espanha”, explorará o conflito presente no país ibérico – e na Europa – incidente também na América Latina, a partir dos injustos processos de transformações urbanas fomentados pelas ações em torno do turismo, afetando sobremaneira a questão habitacional, principalmente nos centros urbanos.

Visando a atuação em extensão universitária dos estudantes do grupo, reforçando nossa atuação junto à sociedade, esta edição do seminário inicia com a Oficina “Histórias e leituras do território”, em conjunto com a MAITÁ – Assessoria Técnica em Habitação de Interesse Social, buscando valorizar a participação da pesquisa histórica nos trabalhos de assessoria técnica junto aos movimentos sociais organizados para a produção de seus espaços de morada.

A Mesa 1 – Habitação e Planejamento em Ibero-América, conta com trabalhos com objetos de pesquisa inseridos em processos de planejamento e produção de habitação social no Brasil (nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e na Espanha (província de Madrid), com ênfase nos períodos de vigência de regimes ditatoriais, explorando o modelo desenvolvimentista de planejamento nacional, regional e municipal e as instituições, agentes e projetos que tiveram lugar no período entre 1930 e 1980.

A Mesa 2 – Cultura técnica, trajetórias profissionais e infraestrutura na América Latina, reúne trabalhos que exploram, a partir da compreensão da construção de culturas técnicas dentro e fora do Estado, a produção de planos, projetos e habitação, ampliando o espectro para grandes obras de infraestrutura e Cidades Novas na região. O universo abrange São Paulo e Ilha Solteira no Brasil; Santiago do Chile; Buenos Aires e o Uruguai.

Já na Mesa 3 – Trajetórias profissionais na relação entre Urbanismo e Estado, busca-se dar visibilidade a inúmeras mulheres arquitetas e urbanistas formadas na ENBA – Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, desde a década de 1910. Nessa exploração, encontra-se a trajetória de Attilio Corrêa Lima, formado na ENBA, ali retornando como professor de Urbanismo após seu trabalho no escritório de Alfred Donat Agache (também estudado aqui, principalmente por participar da construção do urbanismo como campo disciplinar e profissional). A vinculação profissional com o Urbanismo é intensa também no campo da engenharia, cuja expoente Carmen Portinho, no Rio de Janeiro, é objeto de um dos trabalhos. A partir da exploração de Ilha Solteira em pesquisas no grupo, apresenta-se a figura do engenheiro Ernst Mange, atuante na concepção de Cidades Novas junto à CESP (atual Companhia Energética de São Paulo).

Na Mesa 4 – Estado, urbanização e planejamento: interlocuções entre América Latina e África, os trabalhos chegam ao tempo presente, enfrentando a urbanização – no Brasil, em Porto Seguro/BA e Macapá/AM; em Angola, em Lubango; no Peru, em Lima – com amplo espectro de questões, desde a compreensão da urbanização para as questões ambientais e para o planejamento da paisagem, até para o enfrentamento das questões do turismo e do patrimônio.

O evento será transmitido pelo canal do YouTube do IAU, com exceção da oficina com a Maitá, que será totalmente presencial, e da última sessão para a discussão das perspectivas de internacionalização do URBIS, as potencialidades de intercâmbio discente e docente no Acordo de Cooperação com a Universidad de Alcalá e possibilidades de prospecção de novas interlocuções com outras universidades no mundo ibero-atlântico.

DIÁLOGOS BRASIL_URUGUAY

Arquitetura, Cidade E Território: construções históricas e problemas historiográficos

O ciclo de debates foi concebido em torno de problemas de historiografia, principalmente da história urbana, agregando os campos da Arquitetura e do Urbanismo na construção em diálogos com outros campos disciplinares, que também tomam a cidade e o território como campos de análise, com a possibilidade de tratar a temporalidade das pesquisas dos participantes que estudam o século XX, seja na história de longa duração, seja em períodos bem específicos. Neste sentido, destacam-se temas que contém problemas complexos recaindo nas formas de interpretação vinculadas a visões da realidade e caminhos metodológicos que se conectam, ou por vezes se chocam, promovendo novos enfoques.

Esta perspectiva de diálogos interdisciplinares entre pesquisadores e pesquisadoras do Brasil e do Uruguay resultou num conjunto de 5 temas. Um tema central do ciclo de debates é o questionamento sobre como se escreve a história da Cidade e do Urbanismo em ambos os países, tendo em vista a diversidade de escala em relação ao âmbito universitário e às dimensões e diferentes complexidades nacionais.

Sobre o tema da habitação, o interesse se detém na história das políticas estatais de produção habitacional, a tangência entre os dois países em relação à trajetória das propostas tecnológicas para a construção e das ideias de ajuda mútua, nucleadas na FUCVAM (Federación Uruguaya de Cooperativas de Vivienda por Ayuda Mutua) e sua recepção no Brasil. Ademais, propomos a reflexão sobre os tipos de edifícios em relação com a habitação social desde o início do século XX até nossos dias e os problemas historiográficos gerados segundo as tipologias trabalhadas, que atravessam os campos político-culturais (como estratégias de pesquisa) e as tecnologias artesanais (que podem ser abordados tanto do ponto de vista do cooperativismo e da genealogia da atuação dos atores, como grupos católicos, quanto a partir da visão crítica, como a construção da comunidade).

Articulado aos dois primeiros temas, o terceiro trata de abordar a trajetória de diferentes culturas técnicas e professionais, assim como de instituições do Urbanismo no Brasil e no Uruguay, destacando que, para ambos, a década de 1950 representa um marco na construção de um campo de ação e formação, a partir da universidade, de um perfil técnico do urbanista no interior do Estado, seja na promoção de organismos públicos para o planejamento urbano, seja na compreensão do papel do município nesse processo.

Com o objetivo de problematizar esses três primeiros temas e sua trajetória de construção historiográfica, o quarto tema introduz novos enfoques críticos do ponto de vista dos estudos de classe, gênero e étnico-raciais, que ampliam os componentes narrativos da história da Cidade e do Urbanismo em ambos os países.

O quinto tema, de caráter analítico e com orientação propositiva, aborda a análise crítica sobre desenvolvimento, território e ambiente, com o objetivo de explorar enfoques contemporâneos sobre planejamento territorial como a macrocefalia, os sistemas urbanos e metropolitanos, bem como a atuação das grandes corporações promotoras de desastres ambientais. Além disso, é importante considerar a sempre presente dicotomia campo/cidade e, ante a pandemia da Covid-19, recolocar a urgência da discussão sobre a desconcentração metropolitana, buscando chaves para entender o modelo de desenvolvimento implantado durante o século XX, gerador de desigualdade com intensa expressão no território, buscando apontar perspectivas de transformação no marco democrático.