grupo de pesquisa em
habitação e sustentabilidade

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      O Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade – HABIS, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU/USP) iniciou suas atividades em 1993, no momento com o nome GHab (EESC/USP), desenvolvendo estudos com madeira de plantios florestais aplicados em diferentes tipos de edificações. Esteve, então, diretamente envolvido com a produção de conhecimento e a transferência de tecnologia juntamente com a formação de profissionais ligados à cadeia produtiva da madeira, acumulando experiências em processos e produtos utilizando este material, a partir da concepção estrutural e espacial, experimentação em laboratório (ensaios, protótipos) e produção piloto na realidade social.

      A partir de 1997 novas discussões foram sendo incorporadas ao Grupo, principalmente no que diz respeito à sustentabilidade e as suas dimensões técnica, ambiental, social, econômica e geográfica. A intenção era operacionalizar e construir o conceito de sustentabilidade na ação do Grupo, a partir de sua permanente avaliação. A primeira experiência neste sentido foi o desenvolvimento dos protótipos 001 e 002, duas unidades experimentais de habitação de interesse social, onde foram tratadas questões como forma, espacialidade, conforto, e uso de materiais disponíveis regionalmente. Ao propor o uso de materiais locais, além da madeira, o Grupo passou a estudar e desenvolver técnicas e sistemas construtivos em terra crua, como por exemplo, terra-palha, adobe e taipa de mão. 

      A partir do ano 2000, com uma mudança na coordenação, o Grupo passou a se chamar HABIS. A dimensão política da sustentabilidade foi então incorporada ao Grupo, através de projetos que buscavam interagir diretamente com órgãos municipais e população necessitada, pensando em desenvolvimento territorial e políticas públicas. Esta linha de ação reformulada incorporou ao HABIS outras preocupações, como processos participativos autogeridos, economia solidária e geração de trabalho e renda, tendo a pesquisa-ação como estratégia de pesquisa. Esta reformulação também demarcou outro momento na história de atuação do HABIS, momento em que o diálogo e a construção conjunta de saberes se tornaram indissociáveis.

      Buscando viabilizar um projeto neste sentido, com o apoio da FAPESP, a partir de 2000 foram realizadas diversas discussões com a prefeitura de Itararé – SP, situada em uma das regiões de menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Estado de São Paulo, e de maior taxa de ocupação do solo com plantios florestais em pinus e eucalipto. A parceria com a prefeitura de Itararé não se viabilizou, mas abriu espaço para a experiência no assentamento rural Pirituba II, na mesma região, onde foi realizado o Projeto Inovarural (Itapeva / SP), a partir de 2002. Com os recursos para o financiamento habitacional oriundos de um convênio CAIXA / INCRA, e parceria com a USINA (Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado), foram construídas 42 unidades habitacionais no assentamento rural Pirituba II (Itapeva/SP), contando com a participação das famílias nas etapas de organização, projeto e construção. Neste assentamento foi possível a construção de uma habitação em adobe e o desenvolvimento de um sistema de cobertura utilizando madeira de rejeito comercial resultante de florestas plantadas. Além disso, durante o desenvolvimento do Projeto Inovarural, o HABIS implantou uma marcenaria no assentamento, em parceria com a INCOOP/UFSCar. Esta marcenaria foi responsável pela fabricação do sistema de cobertura de todas as casas do assentamento, bem como das janelas, e vem se consolidando enquanto empreendimento coletivo autogestionário. 

      Nesta mesma linha de atuação, em 2006, o HABIS assume a coordenação de mais um projeto habitacional em assentamento rural, o Sepé Tiaraju (Serra Azul/SP), para 77 unidades habitacionais, também com recursos do convênio CAIXA / INCRA, e com o envolvimento dos assentados na construção e gestão da obra. Neste assentamento foi possível uma ampliação das técnicas construtivas em terra, o desenvolvimento de outro sistema de cobertura adaptado às condições locais, a implantação de sistema de tratamento de efluentes utilizando a fossa séptica e o círculo de bananeiras, com auxílio financeiro da FUNASA, além de técnicas de compostagem, bombeamento de água com uso de energia eólica, coleta e armazenamento de água de chuva.

      Estas duas experiências trouxeram ao HABIS a oportunidade de desenvolver inúmeras pesquisas relacionadas ao tema da habitação social em assentamentos rurais, habitação em seu sentido mais amplo (casa e entorno), além de outros temas, como sistemas construtivos mais sustentáveis, processos construtivos participativos, saneamento ambiental e empreendimentos solidários. O envolvimento político tornou-se latente, e novas pesquisas sobre políticas públicas e programas habitacionais passaram a ser desenvolvidas. Este envolvimento trouxe ao grupo a oportunidade de organizar e realizar, em parceria com o GERAH/UFRN, USINA E FAU/UNB, o II Colóquio Habitat e Cidadania – Habitação Social no Campo (EESC/USP, São Carlos, 2011), e o III Colóquio Habitat e Cidadania – Habitação no campo, nas águas e nas florestas (FAU/UNB, Brasília, 2015). Os colóquios possibilitaram a ampliação da discussão sobre o habitat rural junto à outros pesquisadores e a sociedade, sendo momentos fundamentais da atuação do grupo de pesquisa.

      O HABIS desenvolve suas pesquisas desde 1998 utilizando o espaço de uma de suas edificações experimentais (Unidade 002), construída em área próxima ao Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU), Campus 1 da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos. O HABIS possui uma coordenação colegiada, formada atualmente pela Profa. Assoc. Akemi Ino, Prof. Assoc. João Marcos de Almeida Lopes, e Profa. Dra. Lúcia Zanin Shimbo, todos pertencentes ao IAU-USP.

      Entre os seus integrantes encontram-se professores, alunos de graduação e pós-graduação, pesquisadores de pós-doutorado e profissionais parceiros ligados a diferentes instituições e universidades. O HABIS realiza diversas pesquisas em nível de iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado. Também organiza workshops e seminários convidando especialistas nacionais e estrangeiros, e recebe estudantes de diferentes partes do mundo para programas de intercâmbio. 

 

        Para saber mais sobre as atuais linhas de pesquisa trabalhadas, equipe, bem como projetos em andamento e já desenvolvidos navegue nos demais espaços deste site. 

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