Lara Stival
Mestranda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos, no Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) e membro do Laboratório de Estudos do Ambiente Urbano Contemporâneo (LEAUC), onde desenvolve a pesquisa intitulada “Verticalização na cidade planejada: transformações do/no espaço urbano e dinâmicas socioespaciais em Goiânia”, na linha de pesquisa de Territórios e Cidades: Transformações, Permanências e Preservação. Integrante da Comissão Organizadora do Ciclo de Cinema e Debate Urbanicidades. Possui pós-graduação lato-sensu no curso Habitação e Cidade pela Escola da Cidade/SP (2021), para o aprofundamento em questões relacionadas a habitação de interesse social e reurbanização de áreas precárias nos diferentes territórios urbanos. Graduada em Arquitetura e Urbanismo, com trabalho final de graduação na área de reutilização de patrimônios industriais de Curitiba e intervenção urbana. Possui experiência profissional nas áreas de projetos arquitetônicos e urbanísticos de diversas escalas e tipologias, além de atuar no acompanhamento de obras de grande porte. Tem interesse em pesquisa acadêmica e no desenvolvimento de habitação interesse social, planejamento urbano e infraestrutura urbana.
Pesquisa em andamento
Do chão ao céu: verticalização e urbanidades na São Paulo recente
Resumo: Este projeto de pesquisa insere-se no campo dos estudos urbanos, com foco no urbanismo vertical e seus impactos socioespaciais. A investigação busca compreender como a construção de edifícios verticais residenciais e de uso misto (highrises), impulsionada por políticas urbanas, afeta a dinâmica das cidades e se contribui para o surgimento de novas formas de desigualdade, especialmente em São Paulo. Nesta metrópole, o fenômeno é impulsionado pelos Eixos de Estruturação da Transformação Urbana (EETU’s), legislação que incentiva o adensamento populacional próximo a corredores de transporte público. Assim, a pesquisa examinará duas áreas específicas da cidade: a Avenidas Rebouças e o bairro Tatuapé. A hipótese central é que a produção de highrises, fomentada pela legislação dos EETU’s não tem atendido ao princípio social de ampliar o acesso à moradia para diferentes faixas de renda, tampouco garantido uma integração adequada entre espaços públicos e privados. Ao contrário, acredita-se que esses empreendimentos estão voltados a um público de média renda, desencadeando processos de perversão do espaço urbano, incluindo a “built-high gentrification” (Alves; Appert; Montès, 2024). Além disso, entende-se que o Estado tem desempenhado um papel ativo na produção desse processo, flexibilizando legislações urbanísticas em benefício do setor imobiliário, sem garantir contrapartidas sociais efetivas. Assim, o objetivo principal deste doutoramento é investigar os desdobramentos socioespaciais promovidos pela construção de highrises nas áreas selecionadas (a partir de 2014), considerando o princípio social da legislação urbana estabelecida ao longo dos EETU’s, a fim de compreender em que medida essas transformações urbanas ampliam o direito à cidade por meio do acesso à moradia ou reforçam desigualdades urbanas e novos processos de gentrificação. Metodologicamente, a pesquisa adota um estudo de caso múltiplo com abordagem qualitativa, contemplando análise documental, observação de campo e entrevistas com atores envolvidos no processo. Além disso, há a intenção de ampliar a análise por meio da mobilidade acadêmica BEPE, em Londres, o que permitirá um aprofundamento teórico e empírico em distintos contextos sociais e culturais. Por fim, a pesquisa se insere no contexto do projeto “High Rise Living and the Inclusive City”, já finalizado, que apontou a crescente financeirização da habitação e questionou a capacidade da verticalização de promover inclusão urbana.
Palavras-chave: Urbanismo vertical residencial; São Paulo; Eixos de Estruturação da Transformação Urbana; Perversão do espaço; Gentrificação.

