O 44° Encontro e o 29° Congresso ARQUISUR serão realizados na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), de 14 a 16 de outubro de 2026, com o tema “ações para a complexidade”.
A chamada de Comunicações (Resumos) para o Congresso ficará aberta até o dia 31 de agosto. As Comunicações deverão ser enviadas para uma Mesa Temática, de acordo com as regras de submissão e template disponíveis.
OBSERVAÇÕES
Podem submeter propostas de trabalho: estudantes de graduação e de pós-graduação, pesquisadores autônomos, professores, incluindo-se os membros da Comissão Científica e da Comissão Organizadora. A convocatória é aberta a todos, provenientes ou não de instituições associadas ao ARQUISUR. Cada autor poderá submeter apenas uma proposta de Comunicação para Mesa Temática. A Comunicação poderá ser de autoria individual ou coletiva (com até 4 autores). Nelas deve constar: título, identificação de autoria, vinculação institucional, endereço de e-mail, resumo expandido de até 1.500 palavras e de 3 a 5 palavras-chave. As propostas devem ser enviadas seguindo as instruções do template e datas disponíveis no sistema (https://www.even3.com.br/participante/trabalhocientifico/).
DOCENTES DO IAU NA ARQUISUR 2026 | MESAS TEMÁTICAS

E02_M02 | Mesa temática: CIDADE, ARQUITETURA E PROJETO: VIGÊNCIA CRÍTICA E TRANSFORMAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE
Eixo 2 INTERPRETAR E REPRESENTAR
Coordenadores: Manoel Rodrigues Alves, Julio Arroyo
As cidades, moldadas pelas estruturas da modernidade ocidental — progresso, racionalidade científica, centralidade do indivíduo e instrumentalização da natureza, entre outras premissas — constituem um espaço-tempo complexo e contraditório devido às suas intrínsecas contradições históricas. A arquitetura, por sua vez, configura-se como uma prática material e simbólica, técnica e cultural, que molda essa espacialidade, na medida em que o projeto articula conhecimento e ação com um sentido de transformação da realidade.
Cidade, arquitetura e projeto são categorias produzidas por distintos paradigmas e epistemes, hoje submetidas a profundas revisões. No contexto de transição para um capitalismo tecno-informacional, tais categorias entram em tensão diante das transformações que afetam simultaneamente a materialidade urbana, as relações sociais e políticas da cidade e o próprio campo disciplinar da arquitetura e do urbanismo. O relativismo teórico, a digitalização da vida e dos procedimentos, a radicalização da lógica custo-benefício, o deslocamento da forma para a imagem e desta para o algoritmo, aliados a uma sensibilidade marcada pelo instantâneo e pelo efêmero, contribuem para problematizar concepções consolidadas do projeto urbano-arquitetônico.
Nesse contexto, espaço público, território e ambiente são categorias e conceitos que demandam revisão crítica frente aos processos de privatização, elitização, tematização e financeirização que atravessam as cidades sob a hegemonia neoliberal. Essa racionalidade associa o urbano a formas crescentes de segregação e fragmentação socioespacial, controle algorítmico e gestão de dados, enquanto subordina o arquitetônico a procedimentos tecnocráticos voltados à reprodução do sistema. Soma-se a esse quadro a emergência de inteligências artificiais capazes de autonomizar processos decisórios anteriormente reservados à ação humana.
Concomitantemente, categorias como forma e espaço, lugar e identidade, significado e representação, tecnologia e materialidade, sujeitos e práticas são tensionados pela pressão do digital e do virtual, da cultura mundializada, das redes de comunicação e das economias transnacionais de um urbanismo neoliberal. Esse cenário de aceleração contrasta com
os persistentes desequilíbrios e desigualdades que caracterizam as cidades latino-americanas representadas na ARQUISUR.
Frequentemente situadas em posições periféricas ou laterais no sistema-mundo, essas cidades enfrentam desafios específicos: novas formas de colonialidade e subalternidade, economias de plataforma, emergência de novos proletariados, enfraquecimento da vida pública, urbanização segregada e proliferação de enclaves securitizados. Tais processos recolocam em questão a vigência teórica e prática da arquitetura e do urbanismo.
Este conjunto de reflexões fundamenta uma hipótese paradoxal: as cidades são simultaneamente distopias e retrotopias;a arquitetura oscila entre a fetichização da imagem e do algoritmo e o imaginário da transformação; o urbanismo pode constituir tanto uma racionalidade que aliena a relação sociedade-ambiente quanto um conhecimento estratégico para sustentar o público e o comum; e o projeto permanece, ao mesmo tempo, condicionado pela contingência histórica e orientado pela possibilidade de superação das condições existentes.
Para à discussão dessa hipótese e à reflexão sobre a vigência crítica da noção de cidade, da arquitetura, do urbanismo e do projeto frente às transformações contemporâneas solicitamos comunicações que abordem:
- Casos e processos atuais, referentes a mudanças do estatuto do projeto urbano-arquitetônico em termos de práticas teóricas, técnicas e culturais que expressem uma reflexão sobre inovações observáveis nos pressupostos teórico-conceituais, nos procedimentos e nos modos de construção dos casos tomados como referências empíricas.
- Concepção e produção da forma urbano-arquitetônica como ação projetual situada. Agentes e agências intervenientes em casos e processos geo culturalmente situados no Sul Global.
- Convencionalidades e disrupções do desenho originados na introdução do digital como conceito e instrumento em situações urbanas concretas.
Palavras-chave: Cidade contemporânea; Projeto urbano-arquitetônico; Urbanismo neoliberal;Comum urbano; Capitalismo tecnoinformacional.

E02_M09 | Mesa Temática: FUNÇÃO SOCIAL DA ARQUITETURA E DO ARQUITETO NA AMÉRICA LATINA
Eixo 2 INTERPRETAR E REPRESENTAR
Coordenadores: Miguel Antonio Buzzar, Jasmine Silva
O Modernismo alterou radicalmente o status da Arquitetura e do Urbanismo, ao propor que a disciplina interviesse diretamente, através de planos e projetos, na concepção da cidade industrial e das novas questões que o crescimento das cidades fabris solicitava, como a resolução do déficit habitacional. Há vertentes distintas sobre as potencialidades da função social da arquitetura. A que marcou em grande parte o Movimento Moderno, foi aquela que apregoava a possibilidade de criar um Novo Mundo através do projeto arquitetônico, apoiando-se no caráter didático dos edifícios e sua capacidade de determinar alterações no modo de vida dos usuários.
No Brasil, na segunda metade do século passado, a questão social preencheu o debate arquitetônico paulista. De um lado, Vilanova Artigas concebendo o desenho como desígnio e depositando nele a forma de atuação social do arquiteto, de outro, Sérgio Ferro e Rodrigo Lefévre interpretando o desenho não como libertação, mas como dominação sobre os trabalhadores, e propondo o trabalho cooperativo, eliminando a hierarquia entre os saberes erudito e popular no canteiro de obras e, dessa forma, politizando os trabalhadores.
Essa concepção no canteiro não surgiu isoladamente no Brasil. Na verdade, foi uma das várias discussões e proposições que questionavam por vários caminhos a Arquitetura Moderna.
Deste as discussões dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM) pós-guerra, que questionavam a Carta de Atenas e as quatro funções da cidade, pleiteando um “coração da cidade”, passando pelas formulações de Ernesto Rogers sobre as pré-existências, as críticas de Jane Jacobs ao planejamento urbano moderno, a exposição de Bernard Rudofsky “Arquitetura sem arquiteto”, dentre outros.
Uma das experiências mais significativas propiciadas pelos questionamentos à arquitetura moderna foi a de John Turner (1957-1965), no Peru, trabalhando para o Estado e agências de habitação internacionais nas cidades de Arequipa e Lima a convite do arquiteto Eduardo Neira. O trabalho, junto com os moradores, propiciou melhorias nos assentamentos informais barriadas, através de serviços básicos (água e esgoto) e assistência técnica na autoconstrução das moradias. Ferro, Lefévre e Turner contribuíram, não exatamente da mesma forma, para alterar a noção de função social do arquiteto, que sem abdicar do projetar, em muitos casos mediados pelo Estado, passou a buscar soluções para combater o déficit habitacional.
Na mesma chave, pode-se citar: Alejandro Aravena, chileno, com o desenho participativo, combatendo o déficit, o Estado fornecendo infraestrutura básica e o
embrião rígido, e a expansão “projetada” pelos futuros moradores; o trabalho de vários arquitetos uruguaios que, valendo-se da Lei Nacional de Vivienda (1968), e junto de entidades, sobretudo a FUCVAN, projetam, em muitos casos através de processos participativos, conjuntos de HIS construídos por mutirões; de forma semelhante encontramos trabalhos na Argentina, Colômbia, México, etc.,
Partindo do entendimento de que a arquitetura moderna é múltipla em formas e concepções, esta mesa propõe-se como espaço de reflexão e interlocução sobre o papel social da arquitetura. Espera-se receber trabalhos que discutam “”Função Social da Arquitetura e do Arquiteto na América Latina””, buscando conhecer e debater a contribuição de atuações profissionais e formas da dimensão social na arquitetura.
Palavras-chave: Movimento Moderno, Função social, Arquitetura moderna, Historiografia da arquitetura

E03_M04 | Mesa Temática: POÉTICAS ESPACIAIS
Eixo 03 PENSAR E FAZER!
Coordenadores: Rodrigo Almeida Bastos, Aline Coelho Sanches
Se o projeto de Arquitetura, em suas “diferentes escalas”, constitui a “dimensão central da prática profissional” — como enfatiza a comissão organizadora neste eixo “Pensar e Fazer: reflexões sobre a prática projetual” —, o espaço é, por sua vez, um dos conceitos centrais dessa prática; desde pelo menos o final do século XIX, quando August Schmarsow definiu a Arquitetura como uma arte essencialmente destinada à “”criação de espaços””.
Mas o espaço tem sido também uma noção capital para vários outros campos de conhecimento e prática. Com efeito, a noção de espaço tem sido recorrente e fundamental nas Ciências humanas e sociais, como a Antropologia, a Geografia, a Sociologia. O processo é marcado especialmente pela chamada “”Virada Espacial”” (Spatial Turn), ocorrida na segunda metade do século XX, como destacaram Stephan Günzel e Jörg Dünne, na introdução à coletânea de textos seminais sobre o espaço (Raumtheorie), publicada em 2012. Para além de toda essa relevância, o espaço é uma das noções mais complexas da história. É um conceito imprescindível para as Ciências matemáticas, a Filosofia, as artes, de tal modo que a sua construção, nos últimos dois séculos, em vários campos da reflexão teórica e da produção artística, confunde-se com a própria constituição do que se pode entender por modernidade.
Nesse período, como salientou Kenneth Frampton, em 2001, em Studies in tectonic culture, o espaço ganhou uma notoriedade tal que se tornou praticamente impossível pensar a realidade em suas várias dimensões sem considerá-lo, ocupando um lugar radicalmente central na epistemologia e na estética modernas. Esse processo é particularmente decisivo para o pensamento e para a crítica da Arquitetura na modernidade, de modo que as análises, a crítica e as definições da arte, proporcionadas por arquitetos, estetas e historiadores da arquitetura, são necessariamente condicionadas — e também protagonizadas — pelo conceito de espaço. Esse processo tem paralelo similar no ensino de Arquitetura, em que continuamente se compreende e se defende um aprimoramento da visão, da percepção ou dos sentidos de espaço desde o começo da formação profissional — considerada uma habilidade inalienável do arquiteto.
Assim, a proposta dessa mesa é debater a centralidade do espaço no projeto e no ensino da arquitetura, contemplada na genérica expressão: “Poéticas espaciais”. Serão bem-vindas propostas de estudos de projetos, de obras construídas, de reflexões teóricas e análises críticas, discussões estéticas e epistemológicas, debates históricos, considerando-se também o cerne da proposta do evento, que é pensar e conduzir ações em um mundo complexo, sem abdicar da reflexão teórica sobre os temas próprios da disciplina.
Serão igualmente bem-vindas as reflexões com foco na América Latina, embora não excludentes de outras partes do mundo, considerando seu lugar e papel na construção da modernidade e deste mundo de irreversível complexidade.
Palavras-chave: Espaço, Prática Projetual, Teoria e História da Arquitetura, Ensino de Arquitetura, Ensino de Projeto

E03_M11 | Mesa Temática: EXPERIMENTAR PAISAGENS: PRÁTICAS DE PERCEPÇÃO E EXPRESSÃO EM ATELIÊ
Eixo 03 PENSAR E FAZER!
Coordenadores: Gabriel Teixeira Ramos, Arthur Simões Caetano Cabral, Luciano Bernardino Da Costa
A mesa temática em questão propõe reunir iniciativas, práticas e experimentações metodológicas desenvolvidas em contextos de ateliê voltadas à percepção, interpretação e expressão da paisagem no meio urbano. Parte-se do entendimento de que a complexidade das cidades contemporâneas demanda formas de aproximação capazes de articular experiência sensível, reflexão crítica e invenção de modos de registro, leitura e proposição. Interessa, nesse sentido, discutir práticas experimentais investigativas que tomem a cidade como campo de relações, experiências, imagens, ações e disputas, continuamente produzido por corpos, práticas cotidianas, infraestruturas, tecnologias e processos ambientais (BESSE, 2014; INGOLD, 2015; CERTEAU, 2014;FLUSSER, 2002).
A mesa busca colocar em debate experiências de ateliê que explorem modos diversos de aproximação à paisagem urbana, especialmente aqueles que tensionem procedimentos convencionais de análise, representação e projeto. Caminhadas, derivas, práticas de campo, fotografia, vídeo, desenho, cartografia, coleta, arquivo, colagem, montagem, narrativas, ações performativas e construção de dispositivos espaciais podem constituir, entre outros procedimentos, meios para apreender e expressar dimensões da cidade que frequentemente escapam às formas estabilizadas de representação (CARERI, 2013; DIDI-HUBERMAN, 2015).
A hipótese é de que tais práticas podem operar como dispositivos de atenção, capazes de produzir deslocamentos nos modos de ver, sentir, interpretar e imaginar o espaço urbano. Nesse contexto, interessa refletir sobre o papel do corpo e da experiência direta na produção de conhecimento sobre a cidade, assim como sobre a participação das imagens e dos dispositivos técnicos na construção das paisagens contemporâneas. Se, por um lado, a experiência urbana é cada vez mais atravessada pela circulação acelerada de imagens, pela mediação tecnológica e por formas de percepção fragmentadas, por outro, práticas de ateliê podem criar condições para a desaceleração, a observação, a escuta e a produção de outras narrativas.
Fotografar, caminhar, mapear, desenhar ou narrar podem ser entendidos para além de meras formas de representar uma realidade previamente dada, avançando sobretudo como modos de estabelecer relações com lugares, reconhecer situações, revelar conflitos e tornar perceptíveis processos, temporalidades e formas de vida. Essas aproximações permitem interrogar os limites disciplinares e os modos pelos quais o conhecimento sobre a cidade é produzido, compartilhado e transformado em experiência, linguagem, narrativa, imagem, ação e possibilidade de projeto.
Desse modo, a paisagem urbana é compreendida como experiência, campo de ação, articulação de sentidos dispersos, de tal modo que sua investigação envolve relações entre corpo, imagem, espaço, território, infraestrutura, ecologia e vida propriamente dita coletiva, abrindo possibilidades para práticas que aproximem arquitetura, urbanismo, artes e outros campos do conhecimento (BESSE, 2014; CLÉMENT, 2007).
Nesse sentido, a mesa acolhe experiências que articulem leitura e proposição, investigação e criação, percepção e expressão, incluindo estratégias projetuais não necessariamente centradas no objeto arquitetônico e abertas à experimentação com ações, situações, atmosferas, narrativas e dispositivos. Pretende-se, assim, reunir e confrontar experiências que permitam pensar o próprio ateliê como espaço de investigação e invenção metodológica.
A mesa busca discutir como diferentes práticas podem produzir formas singulares de atenção à cidade e às suas paisagens (BERQUE, 2023), ampliando os modos de apreender, interpretar, imaginar e expressar o urbano contemporâneo.
Palavras-chave: experimentações metodológicas, paisagens, percepção, expressão, ateliê

E03_M14 | Mesa Temática: A FALÁCIA DA SUSTENTABILIDADE: PRODUÇÃO DO ESPAÇO, DEPENDÊNCIA EXTRATIVISTA MINERAL E EXPLORAÇÃO DO TRABALHO NA AMÉRICA LATINA
Eixo 03 PENSAR E FAZER!
Coordenadores: Raissa Pereira Cintra de Oliveira, Rita de Cássia Pereira Saramago
A presente proposta pretende investigar a arquitetura a partir dos processos produtivos. Colocar em pauta o canteiro de obras bem como as fases precedentes a ele, como a fabricação dos materiais, permite-nos visualizar momentos de exploração do trabalho e da natureza, geralmente desconsiderados no âmbito da produção arquitetônica, principalmente nas abordagens oficiais que a qualificam como “sustentáveis”. Parte-se da hipótese de que o papel das modificações tecnológicas na arquitetura, sobretudo com a ascensão dos materiais modernos, significou muito mais o controle do capital no campo da construção a uma simples “evolução” técnica – hipótese que vem sendo consolidada pelos Estudos de Produção.
Entende-se aqui que a abordagem tecnológica não é trivial: se compreendida como um problema incontornável para o Projeto e para a Construção, as noções mais corriqueiras que lhe são atribuídas recorrentemente tropeçam numa rarefeita discussão sobre o complexo universo que lhe subjaz: o da Razão Técnica. Técnica e Tecnologia transfiguram-se como “Tecnologia das Construções” – como racionalidade operativa, instrumental, irredutível e indiscutível. No entanto, é por intermédio da tecnologia que extraímos e consumimos as entranhas do planeta para transformá-las em edifícios ou cidades, aprofundando, cada vez mais, uma série de crises atuais. Também é a partir da tecnologia que agenciamos inúmeras formas de explorar o trabalho alheio, com mecanismos cada vez mais eficientes e violentos, inclusive transferindo valor desde os canteiros de obra para as formas mais abstratas do capital. Nada há de reais avanços em direção à almejada sustentabilidade se igualmente não avançarmos na crítica à racionalidade técnica que sustenta o que fazemos como arquitetos e urbanistas.
Entendemos que colocar em pauta essa problemática se faz urgente, na medida em que a construção civil é um dos setores que aglutina uma enorme massa de mão de obra explorada e, além disso, contribui com 37% das emissões de CO2. O problema vai além, visto que a cadeia produtiva dos materiais, por exemplo, sustenta uma série de expropriações de terra, recursos hídricos, florestas, fauna, vida dos povos tradicionais, dependências e violações trabalhistas, sérios danos à saúde dos operários e impactos indiretos, resultantes da infraestrutura necessária para o escoamento da produção.
Esta mesa espera contar com contribuições que submetam as diversas dimensões da produção da arquitetura e do urbanismo na América Latina a um escrutínio crítico e criterioso, alcançando não apenas seus objetos mais evidentes, mas também o subsolo que lhe dá sustentação: a violenta exploração do trabalho no canteiro de obras, a extração e o consumo exacerbado dos recursos minerais e energéticos que lhe são necessários, a sempre controversa destinação dos resíduos produzidos pelo setor, a insaciável avidez imobiliária fundada no consumo de terra tecnologicamente urbanizada. Seja pela abordagem historiográfica ou tomando como referência aspectos da Economia Política, seja por intermédio do relato de casos ou pela reflexão sustentada por arcabouço teórico específico, esperam-se contribuições que nos permitam desvelar os diversos aspectos da produção da arquitetura e do urbanismo na América Latina.”
Palavras-chave: sustentabilidade, estudos de produção, exploração do trabalho, extrativismo, crise ambiental
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