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USP outorga título de Doutor Honoris Causa a Sérgio Ferro

Homenagem reconhece trajetória do arquiteto, professor e artista e representa também um gesto de reparação pelas perseguições sofridas durante a ditadura militar

A Universidade de São Paulo outorgou, no dia 4 de agosto, o título de Doutor Honoris Causa ao arquiteto, professor e artista Sérgio Ferro Pereira, reconhecendo sua contribuição à arquitetura, às artes, à reflexão crítica sobre o trabalho e à formação de gerações de arquitetos e urbanistas.

A proposta de concessão do título foi apresentada conjuntamente pelas Congregações da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU-USP) e do IAU-USP, além do Conselho Deliberativo do Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP). A proposta foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário da USP em março de 2025.

A cerimônia de outorga ocorreu na na Sala do Conselho Universitário da USP e marcou a concretização de um processo iniciado com a proposição conjunta das três instituições.

Uma trajetória marcada pela arquitetura, arte e crítica

Formado pela FAU-USP em 1961, Sérgio Ferro foi aluno de Vilanova Artigas e Flávio Motta. No ano seguinte à graduação, iniciou sua carreira docente na FAU, onde lecionou História da Arte até 1970. Ao lado de Rodrigo Lefèvre, participou ainda, desde o final dos anos 1950, de uma produção arquitetônica marcada pelo ambiente de intensa transformação urbana e construtiva vivido pelo Brasil naquele período.

Como professor, pesquisador, arquiteto e artista, Ferro desenvolveu uma produção intelectual que questionou as relações entre arquitetura, trabalho, desenho e canteiro de obras, tornando-se uma referência para diferentes gerações de estudantes, pesquisadores, arquitetos e artistas.

Entre suas obras teóricas, destacam-se trabalhos como O Canteiro e o Desenho e Arquitetura e Trabalho Livre. Sua produção também se estendeu à pintura, área à qual passou a se dedicar de maneira mais intensa após sua aposentadoria como docente na França.

Perseguição durante a ditadura e reconhecimento como reparação

A trajetória acadêmica de Sérgio Ferro foi interrompida pela repressão política durante a ditadura militar. Em dezembro de 1970, ele foi preso pela Operação Bandeirante (OBAN) e posteriormente torturado nas dependências do DOI-Codi. Após sua libertação, em 1971, deixou o Brasil e, em 1972, passou a atuar como docente e pesquisador na França, na Escola Superior de Arquitetura de Grenoble.

A Comissão da Verdade da USP documentou as perseguições sofridas por Ferro e os impactos que elas tiveram sobre sua trajetória acadêmica. A súmula biográfica apresentada conjuntamente pela FAU, pelo IAU e pelo MAC destacou, por isso, que a concessão do título possui também um importante caráter de reparação institucional diante das violações de direitos humanos e civis cometidas contra o professor durante o regime de exceção.

O documento também ressalta a importância da homenagem para reafirmar o compromisso da Universidade com os valores democráticos e com a rejeição à perseguição política e ideológica em seu ambiente institucional.

A participação do IAU

A presença do IAU no processo de concessão do título foi formalizada pela aprovação da proposta em sua Congregação e pela participação do diretor, João Marcos de Almeida Lopes, na elaboração e encaminhamento da documentação apresentada ao Conselho Universitário.

Em conjunto com os diretores da FAU e do MAC, João Marcos de Almeida Lopes assinou a documentação que fundamentou a indicação de Sérgio Ferro ao título de Doutor Honoris Causa. A proposta foi encaminhada à Reitoria após ser aprovada pelas instâncias colegiadas das três instituições.

A participação do IAU nessa homenagem reafirma a proximidade entre a trajetória intelectual de Sérgio Ferro e os campos de pesquisa, ensino e reflexão crítica que constituem a identidade acadêmica do Instituto. Mais do que reconhecer uma trajetória individual, a homenagem recupera parte importante da história da arquitetura brasileira e da própria Universidade de São Paulo.

Saiba mais: USP reconhece a trajetória de Sérgio Ferro com a outorga do título de Doutor Honoris Causa

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